Uma análise financeira do mercado de transferências europeu


A janela de transferências mais recente movimentou, nas 5 principais ligas europeias, cerca de 5,1 bilhões de euros, aumentando em 38% o volume de dinheiro gasto, ou melhor, investido em relação à janela de transferências da temporada anterior. Esta é uma estimativa do Observatório do Futebol, do Centro Internacional de Estudos do Esporte (CIES). A entidade, ligada à FIFA, realizou nos últimos oito anos uma análise detalhada do dinheiro movimentado nas 5 principais ligas: a Premier League, a La Liga, a Serie A italiana, a Bundesliga e a Ligue 1. Para se ter uma ideia do caminho aparentemente sem volta que o futebol europeu está tomando, este já é o quinto ano consecutivo que o recorde de dinheiro gasto em transferência é estabelecido. No total, contando a janela de transferências do inverno europeu, foram gastos 5,9 bilhões de euros em 2017, um aumento de 41% em relação ao ano anterior. 

A Premier League, naturalmente, é a liga que mais investiu. Seus clubes gastaram 1,77 bilhões neste ano. Entretanto, teve uma queda de 7% nos investimentos. Já a Ligue 1, quinta colocada em 2016, subiu os gastos em 12% e ultrapassou a Bundesliga e a La Liga, consequência das contratações bombásticas do PSG (Neymar e Mbappé). Além do campeonato francês, apenas a Série A teve aumento em comparação com o ano passado, com apenas 1%. A Bundesliga teve diminuição de 4% e a La Liga de 2%. 

É interessante salientar que 71% do valor gasto em 2017 transitou dentro destas cinco ligas, com 1,92 bilhões de euros indo para clubes da mesma liga que o comprador, e 1,75 bilhões indo para equipes das outras quatro grandes ligas restantes. Além disso, outros 7% (0,37 bi) foram para equipes de divisões inferiores destes países. 16% do montante total (0,83 bi) foram gastos em atletas de equipes de outras ligas europeias e apenas 5% (0,28 bi) foram destinados a compra de jogadores de clubes de fora da Europa. O Brasil foi um dos países que mais ajudou essa movimentação financeira, recebendo cerca de 134 milhões das 5 principais ligas

Além da disputa por títulos dentro de campo, os clubes possuem uma dura competição fora dele durante o vai e vem do mercado. E ainda no início da temporada, já podemos ver alguns "campeões". O Monaco, principal concorrente do PSG na liga francesa, foi a equipe com o maior superávit, gastando 105 milhões de euros e arrecadando em transferências 394 milhões, quase o dobro do alemão Borussia Dortmund, segundo colocado com arrecadação de 199 milhões e gastos de 89 milhões. Completando o pódio, o francês Lyon, com um saldo positivo de 72 milhões. A surpresa da lista fica para o Real Madrid. Conhecido há alguns anos como um clube que gastava incontrolavelmente, se tornou símbolo de como investir de maneira certeira. Atual bicampeão da Champions League, neste ano a equipe ficou com o quarto maior superávit, com 42 milhões de saldo positivo, gastando 92 milhões e arrecadando 139 milhões. 

Do outro lado da moeda está o PSG, com um déficit incrível de 343 milhões. Os dez maiores déficits possuem algumas diferenças interessantes. Na sequência, temos o Milan, com -189 mi, e a dupla de Manchester. O United torrou 197 milhões e recebeu míseros 11 milhões. Já o City gastou 282 mi, mas em compensação arrecadou 109 mi. Ainda entre os três primeiros, temos o curioso caso do Brighton Hove & Albion e do Huddersfield, equipes recém promovidas para a Premier League. Os clubes investiram 54 e 55 milhões de euros respectivamente. O Huddersfield ainda recebeu 7 milhões em transferências. Já o Brighton apenas gastou. Não é difícil entender a razão para alguns clubes ingleses terem uma queda vertiginosa para a Legue One ou League Two após o rebaixamento para a Championship. 

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