Bafana Bafana, a Seleção da África do Sul

Campeões da Copa Africana de 1996

Esta é a primeira reportagem da série sobre o Futebol na África do Sul. A série será dividida em três postagens: Bafana Bafana, a Seleção da África do Sul; PSL: a liga sul-africana; e A rivalidade entre Orlando Pirates e Kaizer Chiefs e outros clubes da África do Sul

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A Seleção da África do Sul possui uma história ímpar, de separação, luta por direitos e união de um povo. Os Bafana Bafana (Os garotos em tradução livre), foram constituídos oficialmente apenas em 92, por conta do Apartheid, regime de segregação racial que vigorou no país entre 1948 e 1991. Dessa maneira, embora o futebol já existisse na África do Sul desde o século XIX, brancos e negros tinham suas próprias associações e clubes de futebol. A história do futebol da África do Sul é uma grande colcha de retalhos. Por isso, na medida do possível, vamos tentar nos concentrar na seleção nacional. 

O futebol chegou cedo na África do Sul, graças ao colonialismo inglês. Em 1892 foi fundada a FASA, Football Association of South Africa, organização exclusivamente para brancos. Apesar disso, a Africa do Sul foi, junto da Etiópia, do Egito e do Sudão, pioneira na organização do futebol no continente, sendo o primeiro país africano a participar de um Congresso da FIFA, em 1953, e a ser um dos países fundadores da Confederação Africana de Futebol, a CAF, em 1956. A primeira Copa Africana de Nações foi disputada no ano seguinte, em 1957, e a África do Sul foi desclassificada por não aceitar enviar um time multirracial. O Egito ganhou com facilidade a edição do torneio, eliminando o Sudão nas semifinais e vencendo a Etiópia na decisão, além de vencer um jogo extra contra Sudão, marcado para sanar as perdas financeiras pela não participação da África do Sul.


Em 58, no segundo congresso da CAF, o país foi excluído da associação, mas no mesmo ano foi aceito na FIFA. Porém, a participação do país na entidade máxima do futebol durou pouco. Em 1961 o país foi suspenso. O inglês Stanley Rous, eleito presidente da FIFA naquele mesmo ano, tentou manter o país filiado, assim como a Rodésia, outro país que viveu sob a discriminação racial como política de estado. Oficialmente, a África do Sul foi expulsa apenas em 1976, quando João Havelange já era o presidente da entidade, e pela pressão exercida pelos países membros da CAF em relação ao massacre de Soweto

Quinze anos depois, em 23 de março de 1991, com a queda do Apartheid, a South African Football Association foi fundada a partir de outras quatro associações: a Football Association of South Africa (FASA), a South African Soccer Association (SASA), a South African Soccer Federation (SASF) e a South African National Football Association (SANFA), que posteriormente sairia do processo por não concordar com a entrada na CAF, a Confederação Africana de Futebol. Em 92 a SAFA se tornou membro da CAF e da FIFA, e enfim pôde fazer sua estreia oficial.

Para celebrar a consolidação da associação, a África do Sul recebeu a seleção de Camarões, então principal equipe do continente africano, graças à ótima campanha realizada na Copa de 90, na Itália. No dia 7 de julho, a África do Sul venceu Camarões por 1 a 0, em Durban. Naquele mesmo ano, entrou para os qualificatórios para a Copa do Mundo e para a Copa Africana de Nações, ambos a serem disputados em 1994, mas não conseguiu a classificação em nenhuma das duas competições. Isso mudaria na edição de 1996, em que o país seria sede da principal competição continental de seleções.

O auge da África do Sul

O filme Invictus, de 2009, conta a história da Copa do Mundo de Rugby de 1995, sediada na África do Sul e conquistada pelo país. O título se transformou em um marco da união , da transformação da África do Sul em uma democracia racial. Mas a equipe de rugby do país era inteira formada por brancos. Bem mais representativa da sociedade sul-africana, o time de futebol teve em 1996 a chance de novamente levar o país ao topo do esporte, agora dentro do continente africano. O país sediou a Copa Africana de Nações.

Na primeira fase, a África do Sul liderou o grupo A, vencendo Camarões na estreia por 3 a 0, vencendo a Angola pelo placar mínimo, e fechando a fase com uma derrota para o Egito, por 1 a 0. Na fase final, venceu a Argélia por 2 a 1, derrotou Gana por 3 a 0, e na grande final venceu a Tunísia por 2 a 0, com dois gols marcados por Mark Williams, aquele mesmo atacante que meses depois viria para o Corinthians, onde atuou em apenas três partidas.


No ano seguinte, o país disputou a Copa das Confederações. Apesar da lanterna no grupo B, a equipe estreou com um empate em 2 a 2 com a forte República Tcheca e fez jogo duro com os Emirados Árabes, perdendo por apenas 1 a 0, e na rodada derradeira, empatava com o Uruguai em três a três até o último minuto, quando sofreu o gol da derrota. A boa fase seguiu nas Eliminatórias da Copa em que a África do Sul conquistou a classificação para a primeira Copa do Mundo de sua história. Antes do Mundial, na Copa Africana de Nações de 98, o país foi derrotado pelo Egito na final por 2 a 0 e quase conquistou o bicampeonato continental. Na França, foi eliminado na primeira fase. Na estreia, perdeu para o anfitrião por 3 a 0, mas conseguiu dois empates nas partidas restantes: 1 a 1 contra a forte Dinamarca e 2 a 2 diante da Arábia Saudita.

Na sequência, na CAN de 2000, novo pódio, terminando na terceira colocação. Em 2002, caiu nas quartas-de-final para Mali. Nas Eliminatórias, nova classificação pra Copa do Mundo. No Mundial da Coréia e Japão, nova eliminação na primeira fase, mas dessa vez o país fez uma campanha ainda melhor. Empatou na estreia em 2 a 2 com o Paraguai e na segunda rodada conquistou sua primeira vitória em Mundiais ao fazer 1 a 0 na estreante Eslovênia, chegando na última rodada com chances de classificação. A África vendeu caríssimo a derrota para a Espanha, buscou o empate por duas vezes, mas acabou derrotada por 3 a 2, caindo fora da competição com o mesmo saldo do Paraguai, mas com um gol marcado a menos. 

O declínio 

A partir de 2002, a África do Sul sofreu um claro declínio técnico. além disso, a seleção não conseguiu manter um mesmo treinador por muito tempo, trocando o comando técnico diversas vezes em pouco tempo. Na CAN de 2004 e 2006, eliminações na primeira fase. O país também não conseguiu a vaga para o Mundial da Alemanha. Mas já estava garantido para 2010, afinal, havia sido escolhido dois anos antes para ser o país-sede da Copa de 2010, a primeira na África. Para não fazer feio, a federação apostou na experiência de Carlos Alberto Parreira. Porém, depois de nova eliminação na primeira fase de uma CAN, em 2008, Parreira pediu o boné alegando problemas familiares.

O substituto foi outro brasileiro, e causou surpresa em muita gente: Joel Santana. Conhecido pelo estilo bonachão, Joel comandou a equipe na Copa das Confederações de 2009, e não fez (tão) feio. A equipe venceu apenas um jogo, contra a Nova Zelândia, na primeira fase, mas fez bons jogos contra Brasil e Espanha (nas semifinais e na disputa de 3º lugar). Porém, depois de uma sequência de oito derrotas em dez jogos, Joel Santana foi demitido do cargo. A passagem de Joel pela África também ficou marcada pelas entrevistas em inglês do treinador e pela não classificação da África do Sul para a CAN de 2010. Para o lugar de Joel, Carlos Alberto Parreira teve seu retorno anunciado.


No Mundial, a equipe repetiu a campanha das duas últimas edições que havia participado, com uma vitória, um empate e uma derrota. O empate aconteceu na estreia com o México. Na segunda rodada, perdeu para o Uruguai por 3 a 0, e nem a vitória por 2 a 1 sobre uma combalida França apagou a má impressão da campanha. De 2010 pra cá, a África do Sul não mostrou nenhuma evolução ou sinal de que a boa fase dos anos 90 se repita. Em 2012, sequer se classificou para a CAN. Na edição de 2013, sediou o torneio e cai nas quartas-de-final para Mali, e na edição de 2015, foi lanterna em um grupo difícil, com Senegal, Gana e Argélia. Para a CAN 2017, mais uma vez o país não se classificou. Nas Eliminatórias para a CAN 2019, a equipe tem boas chances de classificação. Já nas Eliminatórias para a Copa do Mundo , para 2014 não conseguiu classificação, e para 2018, na Rússia, a África do Sul briga com Burkina Faso, Senegal e Cabo Verde.


Quem mais vestiu a camisa?

O jogador que mais vezes representou o país com a camisa da seleção foi o volante Aaron Mokoena, com 107 jogos. Durante quase toda a sua carreira atuou no futebol europeu, sendo formado no Bayer Leverkusen e se aposentando no Bidvest Wits em 2013, em sua única passagem profissional pelo futebol de seu país. Na Europa, passou por equipes como o Ajax e o Blackburn Rovers. Apesar de ser o único jogador a passar a barreira dos 100 jogos pelos Bafana Bafana, o volante possui apenas um gol, contra a Zâmbia, em 2006. Mokoena substituiu Radebe como capitão, e liderou a equipe na Copa das Confederações de 2009 e na Copa do Mundo de 2010, ambos sediados pela África do Sul.



Quem mais marcou gols?

O maior artilheiro da história da seleção sul-africana é o polêmico e talentoso Benni McCarthy. Convocado pela primeira vez em 1997,  o jogador marcou 32 gols em 80 partidas. McCarthy é um dos jogadores mais bem sucedidos da história do país, tendo como ponto máximo da carreira sua participação no título da Liga dos Campeões de 2003, pelo Porto. Pela seleção, foi artilheiro da Copa Africana de Nações de 1998 e melhor jogador do torneio, disputou as Copas de 98 e 2002, e só não esteve na Copa de 2010 por não estar nas condições físicas ideais. Em Copas do Mundo, jogou seis partidas e marcou dois gols (inclusive, o primeiro gol da história da África do Sul em Mundiais). Ainda disputou as Olimpíadas de 2000 e marcou um gol em três jogos.

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