O reconhecimento de um rival é maior que o da FIFA: O GreNal das faixas


Nos últimos tempos, a velha discussão sobre o que pode ou não pode ser considerado campeonato mundial voltou à tona, já que a direção atual da FIFA, encabeçada por Gianni Infantino, reiterou que a entidade máxima do futebol reconhece como clubes campeões do mundo, apenas aqueles vencedores do torneio organizado pela FIFA (2000; 2005-2016). Um ultraje para a história do futebol, na opinião deste que vos escreve. Ainda mais em um momento em que, apesar de toda a informação disponível a nós, preferimos exaltar que "o Palmeiras não tem mundial" ao invés de buscar conhecer a fundo a Copa Rio e tirar uma conclusão, seja ela favorável ou não ao time alviverde, por exemplo. Para ressaltar a importância e o status de "mundial" da Copa Intercontinental - torneio que, ressalto, na opinião do autor deste blog, é o antecessor do atual formato - relembro uma passagem que envolve o time pelo qual torço e que mostra que não importa o que a FIFA pense. A história foi feita e esfregada diante dos rivais. Conto-lhes a seguir sobre o GreNal das faixas.

No dia 11 de dezembro de 1983, o Grêmio venceu o Hamburgo por 2 a 1 com dois gols de Renato Gaúcho e sagrou-se com méritos como campeão mundial de fato. Ou campeão intercontinental, como queiram. Independente de nomenclaturas, venceu o troféu interclubes mais importante do planeta. Dois dias depois, acredite, o Grêmio venceu outro torneio intercontinental: a Copa Los Angeles, diante do América do México. Já viu algum tricolor se considerar campeão do mundo por isso? Óbvio que não, afinal, não se enfrentavam aqui campeões continentais. 

Pouco mais de um mês depois, mais precisamente no dia 26 de janeiro de 1984, alguém teve a brilhante ideia de realizar um GreNal amistoso para a entrega de faixas. Para o Internacional, como (tri)campeão gaúcho de 1983, e para o Grêmio, claro, como campeão... mundial de 83. Reza a lenda que o jogo nasceu de uma provocação de Mauro Galvão, que disse que o Grêmio até poderia ser campeão do mundo, mas quem mandava no Rio Grande do Sul era (e aliás, é) o Inter. E a partida ainda tinha um ingrediente a mais. O ponta-esquerda Mário Sérgio, um dos melhores em campo no jogo de Tóquio, iria estrear, ou melhor, voltaria a vestir o manto colorado.

Antes da bola rolar, um pequeno cerimonial foi realizado, com os jogadores do Inter entregando as faixas de campeão do mundo ao Grêmio, e com os gremistas devolvendo a gentileza com as faixas de campeão gaúcho. Após o apito inicial, bastaram três minutos para o Inter abrir o placar. Após boa jogada coletiva, a bola acaba sendo alçada na área para Sílvio, que domina, ajeita e bate meio atravessado, ainda contando com um desvio na defesa. Ainda no primeiro tempo, De Léon, de costas para o gol pelo lado direito, mata no peito e levanta a bola na área. Osvaldo, livre de marcação desvia de cabeça para empatar.

No segundo tempo, Renato Gaúcho resolveu dar as caras, bagunçou com o lateral Beto e tocou de cobertura por cima do ainda jovem, porém já bigodudo Gilmar Rinaldi. Era a virada tricolor. O terceiro do Grêmio foi outro golaço. Osvaldo, centralizado, lançou à esquerda para Paulo César que dominou no ar com o pé esquerdo, e bateu com o pé direito na saída de Gilmar. O quarto gol saiu de novo belíssimo lançamento. China colocou as bolas nos pés de Caio, que avançou e mandou para as redes. Já no fim da partida, Ruben Paz aproveitou rebote de João Marcos para diminuir a diferença no marcador. Após o apito final, Mário Sérgio voltou a vestir a faixa de campeão do mundo sobre a camisa vermelha, arrancando aplausos dos presentes no estádio Olímpico.


Neste jogo, o Internacional passou por cima da FIFA e não apenas reconheceu, como caiu diante do então campeão mundial. Igualaríamos o feito, dessa vez com o devido aval da entidade máxima, vinte e três anos depois. Ambos já tiveram a oportunidade de ser bi-mundiais e desperdiçaram. Aliás, faz tempo que a América do Sul não emplaca um campeão mundial. Ficamos na torcida para que em 2017 o mundo volte a ser dos sul-americanos.

Ficha Técnica
Grêmio 4x2 Internacional
GreNal 268
Grêmio: João Marcos, Raul (Casemiro), Baidek, De León, Paulo César, China, Osvaldo (Leandro), Bonamigo, Renato, Caio (César), Júlio César (Luis Carlos). T: Valdir Espinosa.
Internacional: Gilmar, Alves, Mauro Pastor, Mauro Galvão, Beto, Ademir, Müller (Fernando), Ruben Paz, Sílvio (Milton Cruz), Geraldão (Kita), Silvinho. T: Dino Sani.
Arbitragem: Luiz Torres, auxiliado por Orion Satter de Mello e Zeno Escobar Barbosa.
Público: aprox. 15 mil pessoas.

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