Os incaíveis da Argentina


Por Icaro Simões

Quando pensamos em futebol argentino e rebaixamento, certamente o rebaixamento do River é uma das primeiras coisas que vem à mente. Uma disputa inesquecível com o Belgrano com muitas cenas lamentáveis e personagens inesquecíveis. O Independiente que foi à B dois anos depois também é um célebre personagem dessa história. Com o rebaixamento dos dois grandes, somados aos rebaixamentos de San Lorenzo (1981) e Racing (1983), o Boca ficou como único dos grandes que nunca caiu, levando muita gente a acreditar que o Boca foi o único time argentino que nunca caiu, o que não é verdade. Traremos aqui os três clubes que nunca foram rebaixados na Argentina

Começando com o Tristan Suárez, ou Club Social y Deportivo Tristán Suárez no seu nome completo. O time da cidade homônima localizada a 36km da capital nacional foi fundado em 1929, mas somente em 1963 filiou-se à AFA e passou a disputar competições oficiais, começando na Primera D.
Na última divisão, o lechero ficou de 1964 a 1975, quando saiu com o título do campeonato. Onze anos na Primera D seria pouco ao olhar a odisseia na Primera C, onde chegou em 1976 e ficou 29 anos até 1995, quando novamente foi campeão e conseguiu mais um acesso. Na Primera B o clube chegou em 1996 e acabou de completar 20 anos por lá, já que essa temporada o acesso passou bem distante. Rebaixamento também não deve ser um problema num futuro próximo, já que o time está muito bem na tabela de promedios.

Outro time na mesma situação é o Club Social y Deportivo Yupanqui, ou simplesmente Yupanqui, cujo nome signfica "De ti hablará la posteridad" em quechua. De fato, a posteridade falou de muitas formas do Yupanqui. O time foi garoto propaganda da Coca-Cola por ser supostamente o time com menos torcedores na Argentina, teve uma mulher presidenta que lutava contra a discriminação de gênero no esporte. Já teve um diretor preso por organizar jogos de azar no próprio clube e já perdeu um terreno para dar lugar a uma avenida. Hoje, joga em estádios alheios porque o seu não tem condição.

Em campo, não é menos peculiar a história do Yupanqui. Fundado em 1935, o trapero se juntou à AFA apenas em 1976, quando começou a jogar a Primera D. Desde aquele longínquo ano, muita coisa mudou na Argentina: começou uma ditadura, o país lutou pelas Malvinas, a ditadura acabou, o país oscilou entre graves crises e chegou a quebrar, mas uma coisa não mudou: o Yupanqui jamais mudou de divisão, fato único no país. Em 2014 o clube esteve perto de subir, mas perdeu a final contra o Juventud Unida. Em 2016 era líder da Primera D, mas perdeu 4 jogos seguidos, empatou o último e terminou longe de subir. Ainda sobre o Yupanqui, somente em 2011 o time enfrentou um clube de outra divisão oficialmente. Foi pela Copa Argentina, quando perdeu para o Temperley por 2-1. Foi também o primeiro jogo noturno da história do clube.

O terceiro e último é o mundialmente famoso Club Atlético Boca Juniors. Fundado em 1905, o time de La Boca entrou no futebol pouco tempo depois, ainda na época amadora, em 1908. Por não poder se inscrever na divisão principal, o clube xeneize disputou o acesso, fracassando nos anos seguintes e inclusive quase caindo em 1910. O acesso, finalmente, se deu em 1912. O Boca foi terceiro e conseguiu subir para estrear na elite, onde está até hoje. Como curiosidade, o River foi lanterna da elite no mesmo 1912, mas o rebaixamento foi cancelado.

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