La gira de 1925


Por Leandro Paulo Bernardo

Em várias ocasiões é levantada a seguinte pergunta; Qual foi o melhor clube de determinada época?Sem nenhum resquício de dúvida, a década de 20 foi caracterizada pelo domínio do Nacional de Montevidéu. O êxito do famoso giro de 1925 pela Europa foi a maior demonstração da força dos bolsos. Essa "conquista europeia" completou noventa anos em 2015.

Aquela equipe era a base da seleção, porém o campeonato local vivia um período de dúvidas, já que devido ao "cisma de 1922" Peñarol e Defensor foram excluídos do campeonato uruguaio. Sem a presença de dois grandes rivais, o Nacional venceu o campeonato de 1923 e 1924, sempre brigando pelo título com o Rampla Juniors, ao qual também vivenciava sua época dourada. Como resultado direto do desempenho do time de futebol do Uruguai nos Jogos Olímpicos de 1924, em que a base da equipe uruguaia era composta por jogadores do Nacional, os diretores do clube decidiram realizar uma turnê pela Europa, impulsionado por Atilio Narancio e Numa Pesquera, respectivamente diretor e presidente do clube. A excursão teve total apoio da associação uruguaia de futebol, que cancelou o campeonato daquele ano e criou um torneio provisório enquanto aguardava o retorno do clube tricolor.

A viagem foi composta por jogos em nove países; França, Itália, Espanha, Holanda, Tchecoeslováquia, Bélgica, Suíça, Áustria e Portugal. Passou por vinte cidades, com duração de 190 dias entre fevereiro e agosto de 1925. Coincidiu com a turnê europeia feita pelo Boca Juniors e Clube Athletico Paulistano, embora o clube argentino tenha jogado apenas 19 partidas, enquanto o clube de Friedenreich jogou apenas dez partidas. Em 07 de fevereiro, a equipe embarcou no Barco Re Vittorio no porto de Montevidéu, em uma viagem transatlântica que viria a terminar em março. A imprensa europeia normalmente referia-se ao Nacional como; "Uruguai", "uruguaios" bem como "líderes Olímpicos" ou "Champions of the World", já que vários jogadores conseguiram a glória olímpica no velho campo de Colombes (Andrade, Mazali, Roman, Petrone, Scarone, Urdinarán e Zibechi).


Esta situação iria piorar ainda mais, com a chegada de quatro heróis olímpicos especialmente emprestados por outros clubes: Pedro Arispe, Pedro Cea, Alfredo Ghierra e José Nasazzi. Jose Nasazzi era cortador de mármore até receber o reconhecimento mundial das conquistas olímpicas, era o grande ídolo do recém-criado Bella Vista. Pedro Cea era a grande revelação do futebol uruguaio, a imprensa aguardava a sua "explosão" definitiva como craque, também foi jogador do "time papal", mas nessa época estava jogando pelo extinto Lito de Montevidéu, clube ao qual Nasazzi também já havia defendido. Pedro Arispe, com a exclusão do Peñarol e do Defensor, era o maior jogador uruguaio que não atuava pelo Nacional. Era o zagueiro do Rampla Juniors que quase tomou os campeonatos de 1923 e 1924 dos bolsos. Alfredo Ghierra era um dos fundadores do Defensor e estava aposentado do futebol em protesto contra a AUF devido à exclusão do clube violeta após o cisma de 1922.

Simultaneamente com a chegada de todos os clubes sul americanos na Europa, foi elaborado um plano da Federação Francesa de aproveitar a presença no velho continente das “três seleções sul-americanas” (Nacional, Boca e Paulistano). Todavia, como os dirigentes de cada equipe iriam pagar as suas próprias despesas, o Paulistano encurtou sua turnê e retornou ao Brasil no início de maio. A estreia do Nacional foi no Estádio Olímpico de Colombes (palco da final olímpica de 1924) diante de uma multidão estimada entre 20 000 e 35 000 espectadores, bateram por 3: 1 a seleção da Liga de Paris, à arbitragem ficou por conta de Marcel Slawick, o mesmo que tinha dirigido a final olímpica. Neste primeiro jogo, Scarone sofreu uma pequena contusão que o obrigou a perder quatro jogos, Urdinarán sofreu uma lesão no tornozelo, e Andrade começou a sentir dores nas costas, alegando desconforto pela longa viagem.

Em seguida, eles enfrentaram a seleção da Liga da Normandia em Rouen, vencendo por. 5: 0, com cinco gols de Petrone. Voltaram para Paris para enfrentaram a seleção francesa no velódromo de Buffalo para um publico de 35 000 espectadores. O jogo durou apenas 35 minutos, a pedido do lado francês, terminando em um empate sem gols. O próximo jogo foi na cidade de Roubaix diante da Seleção Nacional Liga do Norte, uma das mais fortes do futebol francês na época. Antes do jogo, Numa Pesquera prometeu um prêmio extra de mil francos franceses, se ganhassem pelo mesmo saldo de gols do paulistano que havia vencido por sete a zero. Com cinco gols de Petrone, um de Castro e outro de Sufiotti o prêmio extra foi obtido. Lendas afirmam que o boêmio José Leandro Andrade gastou toda a premiação nos bordeis franceses.


O Nacional continuou sua turnê francesa por via férrea até Bordeaux, onde derrotou por 4:.0 o extinto Stade Bordelais ( Campeão da liga do sul). Antes de o plantel deixar a França, chegaram à Europa os reforços de outros clubes uruguaios (Nasazzi, Cea, Arispe e Ghierra). A viagem continuou pela Riviera Francesa, com escalas em Cannes e Nice, até chegar à Génova na Itália para enfrentar o campeão italiano e maior clube do país naquela época; o Genoa Cricket & Football Club. Na única apresentação na bota, a equipe do Nacional venceu o Genoa por 3-0, com um gol de Petrone e dois gols de Scarone em seu retorno após lesão. Os dois primeiros gols foram marcados no decurso dos primeiros dois minutos de jogo. Isto levou a confortável vitória e elogios do lado italiano, garantindo que o Nacional foi a melhor equipe que eu tinha pisado em seu campo de esportes.


Depois da rápida passagem pela Itália, eles foram para Barcelona de trem ao longo da costa do Mediterrâneo, sendo recebidos na estação de trem por uma multidão ansiosa aguardando os campeões olímpicos, incluindo o presidente do FC Barcelona; Hans Gamper. Devido a um erro, três jogos foram marcados na cidade catalã entre 11 e 13 de Abril, pois o Barcelona tinha que jogar a primeira semifinal da Copa do Rei no dia 19 de abril contra o Atlético de Madrid. Para não se desgastar, o Nacional entrou em campo com sua equipe reserva no jogo contra o Esportiu Europa, grande rival local do Barcelona na época. Foi a primeira vez que uma equipe uruguaia foi derrotada na Europa, 1 a 0 para os catalães.


No dia seguinte, o Nacional enfrentou o FC Barcelona no velho estádio de Les Corts, preenchido por 50 000 pessoas, a tal ponto que a Guarda Civil teve de intervir para evitar acidentes. Os catalães assumiram a liderança duas vezes através de José Samitier, mas os bolsos empataram com gols de Urdinarán e Hector Scarone.


O campo de Les Corts tinha um terreno muito duro, sem grama, e haviam especulado sobre como isso poderia afetar o jogo do time do Uruguai. Aos sete minutos de jogo, Pedro Petrone depois de uma jogada em velocidade, sofreu uma fratura nos meniscos. Ele passou vários dias em Barcelona acompanhado por alguns membros da delegação e mais tarde retornou a Montevidéu. Anos depois ele declarou;

"Nós jogamos contra o Barcelona no campo de Les Corts e o jogo foi difícil. Eu estava um pouco apagado, como uma presunção. De repente, Héctor, em uma bonita jogada deu-me um passe, eu corri e quando parei, tinha um adversário em cima. Eu concebi um drible para a direita. Naquele dia estava usando botinas com saltos altos, que afundaram no chão e quis virar o pé, que estava preso com o esforço. senti uma terrível dor na altura do joelho, imediatamente joguei-me no chão, dando gritos de dor. Sem exagerar, eu diria que a dor era tanta que se ele tivesse uma arma na mão, recorreria a ele desesperadamente”.

No dia seguinte, jogando o terceiro jogo consecutivo, Nacional voltou a Les Corts para enfrentar a seleção da Catalunha, composta por jogadores do Esportiu Europa e do Barcelona, saindo derrotado por 2: 1. A direção tricolor reconhece esse jogo como a primeira derrota na excursão, já que a derrota anterior foi com o time reserva. Anos depois o Barcelona iria a montevidéu numa excursão a pedido do cantor Carlos Gardel. O Nacional humilhou o Barcelona que foi muito cobrado pela imprensa ao retornar para a Espanha.

Três dias depois, em 16 de Abril, o último jogo em Barcelona foi uma revanche contra o Esportiu Europa, que terminou em empate sem gols. A delegação depois foi para o Valencia jogar no estádio Mestalla contra os campeões regionais, os dirigentes uruguaios tentaram em vão adiar essa partida. Este jogo foi arbitrado por Carlos Scarone, e tendo como bandeirinhas, Andrés Mazali e Augusto Milego (fundador e primeiro presidente do clube) e terminou em empate por dois a dois.

Depois de ter jogado muitos jogos, os uruguaios optaram por uma pausa nas longas viagens para permitir a recuperação das lesões sofridas por Hector Scarone e Petrone. Foi forçado a reorganizar a agenda dos jogos, pois já tinham jogos marcados para Madrid em 23 de abril, em Bilbao contra o Athletic no dia 26 e a subseqüente saída da Espanha para jogar uma revanche solicitada pela França no dia 1 de Maio e enfrentar a Bélgica no dia 3 de maio. A suspensão da partida em Bilbao criou uma celeuma, uma vez que o atletic, alguns dias antes haviam jogado uma partida polêmica entre contra o Boca Juniors. Enquanto isso os uruguaios jogaram quatro partidas na ilha de baleares, contra equipes locais (FC Manacor, Ilhas Baleares FC, Real Sociedad Alfonso XIII e uma combinação destas últimas e do Real Murcia) marcando vinte e cinco golos e sofrendo apenas três. 

Enquanto aguardava a chegada de reforços de Montevidéu para meados de maio, a delegação foi para a Holanda. O Uruguai tinha batido a Holanda na olimpíada de 1924 em um jogo contubardo. Havia muita polêmica desde 1924, pois a imprensa holandesa havia declarado seu time vencedor moral sobre o jogo violento dos uruguaios, especialmente sobre as famosas tesouras de Leandro Andrade. Este ambiente azedou as negociações para um amistoso contra o Sparta. Depois de muita negociação, foi marcado um amistoso contra uma seleção de jogadores das equipes de Roterdã, contudo foi descoberto que havia um acordo informal entre os jogadores holandeses com a mesma KNVB para não voltar a enfrentar os uruguaios, como consequência resultado do jogo disputado em Paris. 

A realização do jogo acabou gerando surpresa e indignação na imprensa e entre os jogadores da seleção holandesa, liderada pelo próprio capitão; Harry Dénis. Apesar da polêmica, o público lotou o estádio do Sparta. Depois de quarenta minutos bem disputados, o Nacional conseguiu levar a vantagem de 2-0 nos minutos finais da primeira etapa e marcou mais cinco golos no segundo tempo para completar mais uma goleada por sete a zero.


No dia 14 de maio, a equipe foi ate a antiga Tchecoslováquia e estabeleceu um número recorde de público no Estádio Letná; 28 a 35 000 pessoas. Iriam enfrentar outro sparta, só que esse era o poderoso Sparta Praga, no auge do "Sparta de ferro”. A expectativa do público chegou ao ponto que tinha espectadores sobre os telhados das casas vizinhas. A polícia teve de fechar a entrada do estádio para evitar lesões. O Nacional não mostrava se melhor jogo, depois de um primeiro tempo duro, foi superado pelo Sparta, mas a deficiência de seus atacantes e defesa tricolor nesse dia, foram salvos pela boa atuação do arqueiro reserva Vicente Clavijo, tomou apenas um gol. A partida terminou cinco minutos antes do fim, pois o árbitro František Cejnar alegou escuridão no estádio.

O dia 17 de maio foi histórico para os tricolores, pois o Nacional disputou três jogos, em Paris, Bruxelas e Montevideo. Na Cidade Luz, venceram um combinado dos clubes franceses e o Union Sportive Suisse por 3: 0, sendo o primeiro jogo com os reforços de Nasazzi, Ghierra, e Cea. Outra parte do elenco venceu em Bruxelas um combinado Belga venceu por 2 a 1. Enquanto isso em Montevidéu, a equipe juvenil empatou com o Bella Vista por 1 a 1 em um torneio local, já que as edições do campeonato uruguaio de 1925 e 1926 não foram disputadas.

A delegação se reuniu na França, perto da fronteira com a Alemanha, onde iria enfrentar a Liga Nacional da Alsácia. O jogo terminou com a vitória. 2 a 1 para o Nacional. Em 24 de maio de 1925, a regra do impedimento foi alterada, nesse mesmo dia o Nacional enfrentou um combinado belga e venceu por 5 a 1. José Nasazzi criou boas oportunidades para se adaptar à mudança de regras, usando emblemas e desenhos sobre uma mesa no vestiário. Uma revanche foi marcada e teve um público de 55 000 espectadores no Estádio Olímpico em Antuérpia, dessa vez o combinado da Bélgica convocou seus melhores jogadores que estavam jogando em outros países. O jogo terminou 2 a 1 para os belgas.

O Nacional viajou para Paris a fim de encontrar pela segunda vez um selecionado francês. O tricolor novamente derrotou os franceses por 6: 0. Em seguida, eles foram para a Suíça. Durante meses tentavam-se um amistoso contra o Servette (futuro campeão suíço naquele ano), mas uruguaios pediram muito dinheiro. Graças à intervenção de um clube local chegaram a um acordo para enfrentar a equipe uruguaia, no entanto, o desenvolvimento do torneio Servette deu propriedade ao campeonato local. Como resultado, o Nacional teve de encontrar um novo adversário e se dirigiu para Basiléia e foi jogar contra o Basel. O jogo foi disputado no estádio Landhof (a antiga casa do FC Basel) e terminou na vitória para Nacional por 5 a 2. 

Atravessaram a fronteira e foram para a Áustria enfrentar as equipes daquele futebol emergente. Em Viena empataram por 1 a 1 com o Áustria Viena diante de 70 000 pessoas, que foram ver o embate de Matias Sindelar( futuro craque dos anos 30) contra o xerife José Nasazzi. Depois foram para a cidade de Innsbruck, onde derrotaram por 6 a 0 o Tirol. A delegação retornou para a Suíça, iriam jogar em Zurique contra um combinado local e ganhou 5 a 1. O Nacional retornou para Viena, onde derrotou por 2: 1 o Rapid Viena e três dias depois diante de 50 000 espectadores a seleção da Áustria por 2: 0, com dois gols de Jose Nasazzi, que ousadamente foi posicionado como centroavante. Dessa vez a marcação de Sindelar foi feita por Leandro Andrade no confronto do homem de papel contra a maravilha negra.

Eles deixaram Viena de trem até Barcelona, onde novamente iriam enfrentar o FC Europa, e saindo derrotado mais uma vez por 1 a 0. Em seguida, bateram por 4 a 0 o União Deportiva Girona. No último jogo na Catalunha, enfretaram a Seleção da Catalunha com Franz Platko, José Samitier e Vicenç Piera entre outros. O National ganhou por 4: 0. Neste jogo Vicenç Piera sofreu uma lesão no primeiro tempo, sendo substituído por Peiro, jogador do Esportiu Europa. No final da turnê nacional chegaram à Portugal, onde venceram as três partidas. Primeiro ganhou por 7 a 2 do Porto, A segunda partida contra o poderoso Sporting de Lisboa teve de ser adiada um dia devido a uma das muitas revoltas militares que terminariam com a queda da Primeira República e o advento da Ditadura, Finalmente jogado em 20 de julho e terminou 5 a 0. O último jogo do time uruguaio foi com um combinado do Porto com o Boavista, e mais uma vitória por 5 a 2. A turnê foi concluída na Galiza, com um empate por 2 a 2 contra o Celta de Vigo e mais duas partidas contra o Deportivo La Coruña. A primeira terminou em um empate sem gols, em parte graças ao desempenho do goleiro Martinez Candido cedido por empréstimo do Real Madrid e a segunda teve vitória de 3 a 0 para o escrete uruguaio. 

Depois de uma turnê europeia que levou para eles seis meses, o Nacional desembarcou em Montevidéu, em 30 de Agosto. A turnê levou 15 000 milhas náuticas e cerca de 15 000 km por via rodoviária e ferroviária. Trinta e oito partidas foram disputadas em nove países, com 26 vitorias, 7 empates, 5 derrotas, 130 gols marcados e 30 tomados. Os principais destaques da turnê tiveram histórias distintas, mas a grande maioria esteve presente na olimpíada de 1928 à qual venceria novamente os holandeses na semifinal e no mundial de 1930 cuja vitória contra a Argentina na final ratificou o poder do futebol charrua.


Naquela época o futebol começava a se tornar profissional na Espanha, e a primeira grande contratação do Barcelona foi Héctor Scarone após suas belas atuações na excursão. Ele jogou por lá em 1926, sendo campeão da copa do rei e da copa da Catalunha, mas caso continuasse na Espanha teria que renunciar a disputa dos Jogos Olímpicos em Amsterdã, uma vez que somente atletas amadores podiam participar dos jogos. Entre a glória olímpica e oportunidade de uma ascensão financeira no então nascente profissionalismo europeu, Scarone decidiu-se pela chance de mais uma medalha de ouro.

Pedro Pertone retornou antes da delegação, pois estava machucado e teve que operar os meniscos, sendo a primeira pessoa a passar por essa cirurgia no Uruguai. Surgiu um rumor de que iriam amputar a sua perna, todavia a recuperação foi rápida. Petrone voltou a jogar no dia 01 de agosto de 1925 e marcou dois gols na vitória por 4 a 1 sobre o Onward pelo torneio Héctor Gómez (o campeonato uruguaio provisório de 1925 e 1926 durante o imbróglio judicial gerado pelo cisma de 1922). No início de 1931, el Perucho chegou a treinar com o plantel do Peñarol e jogou alguns jogos amistosos, mas em julho de 1931, recebe uma proposta para jogar na Fiorentina, recém-promovida para a Serie A da Itália. Em sua primeira temporada levou a viola para o quarto lugar na liga fazendo 25 gols, que o colocaria como primeiro artilheiro estrangeiro do futebol profissional da Itália. Apesar do sucesso em Florença, optou por retornar ao Nacional em 1933 para novamente ser campeão e artilheiro. No ano seguinte se aposentou do futebol.

Pedro Arispe imediatamente ao chegar da excursão retornou ao seu querido Rampla Juniors. Era o principal jogador do clube na conquista do campeonato de 1927 (o primeiro reunificado após o cisma de 1922). Foi um dos primeiros jogadores a ser homenageado com um nome de rua, sendo essa localizada na famosa villa del cerro, bairro do estádio do Rampla, conhecida por ruas com nomes de países dos barcos atracados no porto. É o maior ídolo da torcida picapiedra.

José Nasazzi era o capitão da seleção no mundial de 1930 e foi o primeiro jogador a receber uma taca de copa do mundo. Seria contratado definitivamente pelo Nacional em 1932, ficando pelo parque central até o fim da carreira em 1936, ganhando os campeonatos uruguaios de 1933 e 1934. Fez em 1933 uma inesquecível parceria com Domingos da Guia na zaga dos bolsos. O estádio do Bella Vista recebeu o seu nome e para muitos jornalistas, foi o maior zagueiro uruguaio de todos os tempos.

Pedro Cea foi contratado pelo Nacional em 1928, marcou gols importantes na semifinal e final da olimpíada de 1928, quando os jogos estavam difíceis para a Celeste. Foi o grande atacante da seleção no mundial de 1930 e em 1946 era o treinador da seleção uruguaia que venceu a copa América de 1942.

Alfredo Ghierra (o quarto em pé na foto ao lado) encerrou a sua carreira ao retornar da Europa, mas interrompeu um pouco a aposentadoria para jogar ainda a Copa América de 1926 no Chile, pois sua experiência e liderança era considerada fundamental por dirigentes e jogadores. Disputou apenas uma partida e o Uruguai sagrou-se campeão. A tribuna de honra do estádio do Defensor leva o seu nome.

Jose Leandro Andrade foi considerado por grande parte da imprensa europeia (inclusive a holandesa) como o melhor jogador da década. Saiu para jogar no rival Peñarol em 1931. A maravilha negra já não tinha o mesmo vigor físico e a vida boêmia atrapalhava muito sua carreira. Dedicou-se mais as festas e ao carnaval, tocava divinamente violino e percussão. Filho de um escravo, que havia fugido do Brasil com uma argentina, morreu pobre, cego e morando em um asilo. Existe uma placa no estádio centenário em sua homenagem.

René Borjas saiu em 1926 para o Wanderers. Em uma pesquisa da revista "Mundo Uruguayo" proposto para o público votar quem deveria ser o atacante central nos Jogos Olímpicos de 1928, obteve 52134 votos contra 47037 de Pedro Cea e 46931 de Pedro Petrone. Marcou gols e deu assistências para a conquista celeste. Teve problemas de saúde e divergências com antigos companheiros do Nacional, ficando de fora do mundial de 1930. Em 1931 foi coroado campeão com o Wanderers no último campeonato uruguaio da era amadora, sendo convocado mais uma vez para integrar a equipe nacional uruguaia em amistosos contra equipes húngaras e marcando dois gols. Em 19 de dezembro de 1931, O Wanderers enfrentaria o Defensor. Sob proibição médica, Borjas ficou em casa esperando o jogo, até que faltando duas horas para o início da pugna, fugiu de casa e foi para o estádio Luis Franzini para assistir ao jogo. Ele morreu de um ataque cardíaco depois de vibrar com uma jogada dos bohemios logo no começo do jogo. Até hoje é o sexto maior goleador do campeonato uruguaio.

El manco Héctor Castro (Quando tinha 13 anos de idade, ele acidentalmente teve a mão direita amputada por uma serra elétrica, o que lhe rendeu o apelido), fez o gol inaugural do Estádio Centenário na abertura do mundial contra o Peru e o gol da vitória da final da Copa do Mundo, em 1930. Aposentou-se como jogador em 1934, até hoje é o sétimo maior goleador do campeonato uruguaio, depois trabalhou como técnico pelo Nacional. Ele ganhou o campeonato uruguaio em 1940, 1941, 1942, 1943 e 1952. Chegou a dirigir a seleção em 1959, porém faleceu um ano depois.

O histórico arqueiro Andrés Mazali seguiu a carreira pelo Nacional, único clube de futebol que defendeu em toda a carreira. Entretanto Mazali representou outros clubes desportivos em várias modalidades, sendo campeão uruguaio de Basquete pelo Olimpia e campeão Sul americano de atletismo em 1923 na prova dos 400 metros com Barreiras. Aposentou em 1929... Apenas do futebol.

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