Carlitos, o artilheiro do Internacional


Sete gols em uma mesma partida, maior artilheiro de seu clube, maior artilheiro do clássico da equipe que defendeu, média de mais de um gol por partida e autor de lances memoráveis. Messi? Cristiano Ronaldo? Não, estou falando do ponta-esquerda Carlitos, um dos maiores nomes da história do Sport Club Internacional de Porto Alegre. Seus feitos com a camisa colorada são gigantescos, mas Carlitos, ou melhor, Alberto Zolim Filho, teve o azar de brilhar em uma época pouco midiática. Mas teve a sorte de fazer parte de uma das grandes equipes do futebol brasileiro, o Internacional dos anos 40, conhecido como Rolo Compressor, que tinha na linha de ataque Carlitos, Rui, Vilalba, Russinho e Tesourinha, da ponta-esquerda pra direita, em sua melhor formação.

Registrado Alberto, nasceu em 27 de novembro de 1921, e se apresentava a todos como Carlos Alberto, e provavelmente, seu apelido tenha derivado daí. Jogou apenas no Internacional, e honrou como poucos o manto vermelho. Chegou ao clube, que ainda mandava seus jogos no Estádio Eucaliptos, em 1937. Fez sua estreia na equipe principal apenas em 22 de maio de 38, diante do São José de Porto Alegre, no estádio Passo d'Areia. Conquistou 10 títulos citadinos e 10 gaúchos, sendo um hexa, de 40 a 45, e dois bicampeonatos (47 e 48, 50 e 51).


Em 384 jogos, são 485 gols, totalizando uma média de 1,26 gols por jogo. Em Grenais, são 42 gols em 61 jogos! Recorde absoluto. Alcindo, maior artilheiro gremista em clássicos fez apenas 13, três vezes menos gol que Carlitos. Vale ressaltar que na época, a principal função de um ponta não era marcar gols. "Contra o Grêmio tinha um sabor diferente. Mas pra mim, fazer gol era a minha alegria". Em 1939, pelo Torneio Relâmpago, marcou sete vezes na goleada de 13 a 1 do Internacional sobre a equipe do Sokol. Certamente, saiu muito contente desta partida.

No dia 16 de setembro de 1945, protagonizou seu mais famoso lance, o Gol Plano Inclinado, marcado no Eucaliptos. Diante do Cruzeiro de Porto Alegre, no meio de um abafa na pequena área, a bola subiu e encobriu o goleiro Marne, adiantado. Carlitos correu para cabecear mas havia passado da bola. Magistralmente, inclinou-se para trás e cabeceou para as redes. Inacreditável, mas o registro fotográfico abaixo, de autoria desconhecida, não deixa dúvidas do feito.


Mas nem só de gols vivia Carlitos. Tal como o Carlitos mais famoso, o Chaplin, como em uma esquete humorística, certa vez prendeu o calção do goleiro gremista Júlio Petersen nos ganchos da trave. Quando Júlio se deslocou, teve o uniforme arrancado. Foi expulso apenas uma vez em toda a carreira, por ter feito cera em um jogo diante do Renner, em 1947. "A primeira partida em que eu fui expulso foi em uma partida contra o Renner, nós estávamos perdendo de quatro a zero. Então mudamos a linha ofensiva: o Tesourinha foi para a meia esquerda, o Rui para aponta direita, o Vilalba para a ponta esquerda e eu no centro. Quando estava quatro a quatro, em seguida eu fiz um, e não podemos mais. Aí houve um escanteio. Eu meti a bola lá e fiquei. O juiz "píii". 'Pô, eu tô apitando lá e tu não faz nada?'. Eu disse: 'olha, tu não me leva a mal, eu tô gripado e tô meio surdo'. E ele me botou para a rua. É que se eu chuto, e um cara dá um balão lá para a frente, aí fica cinco a cinco? Aí quando o Rui foi chutar o escanteio, terminou a partida". Durante os 14 anos pelo clube, recebeu propostas de Vasco, Flamengo e Palmeiras, todas prontamente negadas.

Faleceu em 2001, aos 79 anos de idade, mas cravou seu nome no topo da história do Internacional, deixando recordes provavelmente inalcançáveis. 

2 comentários:

  1. Baita registro. Carlitos foi um dos grandes da história do futebol brasileiro, infelizmente pouco lembrado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Diego! Fico feliz que tenha gostado!Se depender de mim, muitos outros nomes pouco reverenciados serão lembrados aqui no blog. Um abraço!

      Excluir

Deixe seu comentário:

Tecnologia do Blogger.