Alianza Lima e a tragédia do Fokker: lendas, mistérios e tristeza


Último registro antes do fatídico acidente. De pé: Sussoni, Peña, Chamochumbi, Reyes, Gonzales Ganoza (atrás) e Farfán. Agachados: Tomasini, Escobar,Casanova, Cavero, Bustamante e Eche (massagista)
Há 28 anos, mais precisamente no dia 8 de dezembro de 1987, uma tragédia da aviação abalou o futebol peruano. O Fokker F-27 da Marinha de Guerra do Peru caiu no mar de Ventanilla, próximo ao aeroporto Jorge Chávez, em Lima, vitimando 43 pessoas, entre elas a equipe do Alianza Lima, que contava com 17 jogadores e Marcos Calderón, técnico do Peru na Copa de 78 e campeão da Copa América de 75. Na tarde anterior, o Alianza havia enfrentado o Deportivo Pucallpa pela 18ª rodada do campeonato peruano, e venceu por 1 a 0 com um belo gol de Carlos Bustamante.

Os mistérios em torno das causas do acidente deixou um rastro de histórias e lendas. A hipótese mais provável, é a de falha humana, e que foi revelada apenas em 2006. De acordo com um relatório de 1988, da Junta de Investigação de Acidentes de Aviação Naval, ao iniciar os procedimentos de pouso, às 08h02, o painel de comando da aeronave indicava que o trem de pouso não havia sido acionado corretamente. O piloto Edilberto Villar realizou por duas vezes uma manobra arriscada, balançando o avião bruscamente para cima e para baixo, tentando forçar o trem de pouso. Já próximo da torre de controle, Villar pediu a verificação visual, e foi informado que os três trens de pouso da aeronave estavam em perfeitas condições para a aterrissagem. Inexperiente, Villar, nem seu co-piloto Fernando Morales, percebem que o avião estava perdendo altitude. A asa direita se choca no mar, e o impacto na água despedaça o avião em quatro partes. 

Mas por incrível que pareça, um homem saiu ileso do acidente: o piloto Edilberto Villar. Entretanto, o paradeiro dele é desconhecido. Villar nunca falou com a imprensa. A imprensa peruana especula que ele tenha abandonado o país com outra identidade - e me espanta pensar que nenhum jornalista tenha tentado procurá-lo. E obviamente, isso gerou ainda mais razões para a criação de teorias. A principal delas é a de que o avião trazia um carregamento de cocaína e teria sido derrubado pela Marinha. Parentes de alguns jogadores e alguns jornalistas esportivos sustentam essa hipótese, e de que muitos teria sido inclusive baleados durante a ação de derrubada da aeronave.


Outra história, não menos extraordinária, dá conta de que Villar teria ficado em Puccalpa, e o co-piloto Morales comandou o voo. Após a queda, para evitar o escândalo, a Marinha orquestrou um teatro e colocou Villar no mar. Para muitos, a única explicação possível para alguém sair vivo de um acidente desses.

Além dos mitos que envolvem a queda, há ainda aqueles que creem que Villar não foi o único sobrevivente. Segundo o testemunho de Villar, o jogador Alfredo Tomasini sobreviveu à queda, mas com a perna fraturada, não resistiu à força do mar e acabou sumindo. Seu corpo, assim como os de Escobar, Mendoza, León e Bustamante, jamais foram encontrados. Com o passar dos anos, diversos relatos indicavam a aparição de Tomasini, tanto no Peru, quanto em outros países. 

Abaixo, uma lista com 29 das 43 vítimas fatais do acidente com o Fokker F-27(o nome das outras pessoas não foi encontrado na pesquisa):

Jogadores:
José Manuel “Caico” Gonzalez Ganoza (tio do jogador Paolo Guerrero, que na época, tinha 3 anos)
César Sussoni
Tomás Lorenzo “Pechito” Farfán
Daniel Reyes
Johnny Watson
Braulio Tejada
José Mendoza
Gino Peña
César Chamochumbi
Carlos Bustamante
Milton Cavero
Luis Antonio Escobar
Ignacio Garretón
José Casanova
Alfredo Tomassini
William León
Aldo Sussoni

Integrantes da comissão técnica e direção:
Marcos Calderón Medrano
Andrés Eche Chunga
Washington Gómez
Rolando Gálvez
Orestes Suárez
Rodolfo Lazo Alfaro
Santiago Miranda Mayorga

Tripulantes:
Fernando Morales (co-piloto)

Torcedores:
Óscar Colmenares Urteaga

Árbitros:
Manuel Alarcón
Samuel Alarcón
Miguel Piña

O acidente ceifou a vida daqueles jogadores, mas não impediu que o Alianza Lima pudesse tentar acabar com um jejum que durava desde 78, e que só foi quebrado 10 anos depois, em 1997. Naquele momento, os "Potrillos" eram os líderes da competição, e conquistaram posteriormente o Torneo Descentralizado, com o reforço do ídolo Teofilo Cubillas (que jogou de graça) e com o reforço de quatro jogadores do Colo-Colo, que se solidarizou e cedeu os atletas. Mas na grande final foram derrotados por 1 a 0, diante do campeão do Torneo Regional, o Universitario, 

A tragédia serviu de inspiração para Augusto Polo Campos, um dos mais importantes compositores do Peru, que escreveu a música De la victoria a la gloria em homenagem às vítima daquele voo.

Frente al mar de Ventanilla se derrumbo una esperanza, en el mar de Grau descansan los hijos de la Victoria, pero ellos desde la gloria gritaran ARRIBA ALIANZA!



Imagens: 1. La Republica 2. Reprodução

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