Na prisão que abrigou Mandela, o futebol foi um trunfo dos prisioneiros


Durante o regime do Apartheid, o líder sul-africano Nelson Mandela ficou encarcerado por 27 anos, sendo 18 deles em um presídio em Robben Island. A ilha, a 12 quilômetros da costa da Cidade do Cabo, é um santuário natural com mais de 100 espécies de aves residentes no local, além de abrigar animais terrestres e marinhos. Mas o paraíso da natureza foi um verdadeiro inferno para inúmeros presos políticos a partir de 1961. O presídio chegou a abrigar mais de 2 mil pessoas, com até 60 pessoas em uma única cela.

Mas foi através do futebol que boa parte dos prisioneiros conseguiu superar os anos de cárcere. Nos primeiros anos, qualquer tipo de atividade esportiva era proibida. Entretanto, a regra era constantemente descumprida com pequenas partidas sendo disputadas dentro das celas, com bolas de pano. "Na prisão nós não tínhamos privilégios. Quando estávamos atrás das grades, o futebol era a única coisa que eles não podiam tirar de nós. Nós improvisaríamos bolas e as chutaríamos dentro das celas até que eles liberassem o futebol", disse certa vez ao site da FIFA, Tokyo Sexwale, importante ativista. E eles conseguiram.

Em 1966, os prisioneiros organizaram a Makana Footbal Association, federação informal que organizaria os campeonatos entre presos. Jacob Zuma, atual presidente sul-africano e também prisioneiro de Robben Island, era um dos árbitros da MFA, entidade que levou o nome de um primeiros prisioneiros enviados à ilha. Durante sete anos, foram disputados vários campeonatos por até 9 equipes.

Porém, Nelson Mandela jamais pôde fazer parte do grupo, já que vivia em total isolamento em sua cela. Ainda assim, o tênis ajudou Mandela a se comunicar com seus companheiros, enviando mensagens nas bolas utilizadas. A prisão foi finalmente desativada em 1996, dois anos após a eleição de Nelson Mandela, à presidência da África do Sul. Em 2007, a FIFA reconheceu a MFA como membro honorário da entidade máxima do futebol.

"O futebol nos manteve vivo. Os times eram divididos de acordo com a corrente política de cada um. Entretanto, a Makana FA foi algo que nos uniu. Que ultrapassou todas as barreiras políticas. Nós percebemos que era uma ferramenta muito importante para nossa própria solidariedade, união e cooperação", explicou Sexwale.

No mesmo ano, foi lançado um semi-documentário chamado More than just a game que retrata a fundamental importância do futebol na vida daqueles prisioneiros. Confira o trailer abaixo:


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