UFPR debate a violência no futebol com a presença de especialistas

Imagem cedida pelo professor Luiz Paulo Maia

Na noite de ontem, o Núcleo de Estudos de Futebol de Comunicação, do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná promoveu no auditório do Decom, o debate A violência no futebol, com a presença de três especialistas no tema: o sociólogo Maurício Murad, autor do livro "Para entender: a violência no futebol", o empresário Michel Micheleto, executivo da rádio Banda B e o delegado Clóvis Galvão, da DEMAFE (Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos). A mediação foi feita pelo comentarista e ex-jogador de futebol Serginho Prestes.

De acordo com o professor Luiz Paulo Maia, o Núcleo de Estudos de Futebol ainda é algo relativamente recente. Iniciativa, que na minha visão, deve ser incentivada. Estive lá e confesso que me encontrei no meio de cabeças pensantes do futebol. Futebol é pra ser jogado, sentido, assistido, ouvido, mas também é preciso ser pensado e discutido. Infelizmente, o tempo é até curto para tantas perguntas e questionamentos que gostaria de ter feito.

A discussão estava tão interessante que acabei destacando apenas algumas citações dos convidados. Maurício Murad afirma: "As práticas de violência nas torcidas estão ligadas ao crime organizado e ao tráfico de drogas". Ele ressalta que a criminalidade dentro das Torcidas Organizadas é minoritária, atingindo entre 5 a 7% dos integrantes. "É necessário políticas públicas aprofundadas e permanentes. Futebol é um pretexto para a violência aguda que temos no Brasil". Para ele, é preciso medidas repressivas a curto prazo, preventivas a médio prazo e educativas a longo prazo.

O delegado Clóvis Galvão, assim como os demais integrantes da discussão, foram unânimes em se dizerem contra a extinção das TO's. "A Torcida Organizada é oriunda da sociedade. Se as coisas acontecem nas torcidas, é porque a violência está impregnada em todos os setores da sociedade". Já o empresário Michel Micheleto ressaltou o papel da mídia como formador de opinião. "(Na Banda B) foi aberta uma discussão interna de como devíamos tratar a violência. Temos uma responsabilidade social perante a comunidade". Segundo Micheleto, a violência também pode atrair prejuízos aos meios de comunicação, como a perda de patrocínios. "Nenhuma empresa que ser associada a violência".

De quebra, ainda ganhei de presente o livro "Todo esse lance que rola", de autoria de Maurício Murad. É um romance guiado pelo futebol, pela música e pela cultura brasileira. Poderia ter tirado uma selfie (quase uma obrigação no manual de tietagem atual) ou ter pego uma dedicatória, mas ganhei algo muito mais interessante: um livro e conhecimento. 

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