O jogo de 46 segundos


O dia 18 de setembro de 2005 entrou para a história do futebol italiano (e também mundial) graças ao duelo entre Ebolitana e Cosenza pela segunda rodada do Girone I, da Série D, então equivalente ao quinto nível da pirâmide do calcio. Cerca de 350 torcedores do Cosenza viajaram a Eboli para acompanhar a partida, e sem escolta policial, já protagonizaram alguns episódios de violência e vandalismo antes mesmo de chegar ao local da partida. Já instalados no estádio José Dirceu (que leva esse nome em homenagem a Dirceu, ex-jogador da Seleção Brasileira, que atuou pela Ebolitana no fim de carreira), os torcedores arremessavam objetos entre si. Mas o pior ainda estava por vir. E assim que o árbitro deu início ao jogo, um torcedor da equipe vistante invadiu o gramado e agrediu com socos e pontapés o goleiro do time local, Agostino Spicuzza. Percebendo os ânimos exaltados de ambas as torcidas, o árbitro paralisou a partida com apenas 46 segundos de bola rolando. 

O homem de preto ainda aguardou 15 minutos, e ao ver que a situação só piorava, decidiu por não dar continuidade à partida. Se o jogo acabou, a pancadaria mal havia começado. As cenas lamentáveis tiveram continuidade nas ruas de Eboli, deixando lojas e carros depredados. A selvageria obrigou as forças policiais da cidade a pedir reforços de Slaerno e Battipaglia, locais vizinhos. Sete oficiais saíram do confronto feridos e oito torcedores foram presos.

Consequências

A FIGC, entidade que rege o futebol italiano, por meio da LND, a Lega Nazionale Dilettanti, que cuida das divisões inferiores, declarou a Ebolitana vencedora pelo placar de 3 a 0. No fim do campeonato, o time de Eboli terminou na 8ª posição, enquanto o Cosenza ficou no 3º lugar, mas não conseguiu o acesso a hoje extinta série C2, caindo nos play-offs. Além disso, o estádio José Dirceu foi impedido de ser utilizado por uma partida, e a Ebolitana foi multada em 5 mil euros. Já o Cosenza ficou impedido de jogar em seus domínios por 2 meses. O tribunal considerou que ambas as torcidas tiveram responsabilidade no tumulto. Além disso, alguns torcedores foram julgados e condenados pela justiça italiana. 

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