Futebol Arte: O último cartão


Na minha vida como leitor, fui começar a apreciar biografias apenas recentemente. Antes, ficava imaginando o que a vida de alguém pode ter de tão interessante para ser contada em um livro inteiro. Mas é só olharmos nossas próprias vidas. Os casos mais bobos podem se tornar em prestigiosas memórias se bem contadas. Nas estantes das livrarias, há centenas de biografias disponíveis. Do cantor pop do momento ao líder político de uma nação. No esporte, também temos bons exemplares, com a história de vida de grandes jogadores, técnicos e até jornalistas esportivos. E quanto aos árbitros? É raro, mas existe. Além de uma biografia de Arnaldo Cézar Coelho (que ainda não li), e do Edilson Pereira de Caralho (aquele, da Máfia do Apito) descobri há pouco o livro “O Último Cartão”, de Jorge Baptista, que conta a história de Jorge Coroado, renomado árbitro português.

E olha, foi uma das leituras mais agradáveis que já fiz. Durante o livro, Coroado não foge às polêmicas, denuncia ex-companheiros de arbitragem e deixa claro as tentativas de intimidação feitas por altos dirigentes. A manipulação não é mera teoria conspiratória. Os causos são engracadíssimos, e parecem ganhar tom especial ao se imaignar o sotaque característico dos portugueses. Coroado também faz a mea-culpa e aponta seus próprios erros. Mas certamente tem torcedor que deve xingar-lhe a mãe até hoje - e com muita razão!

Folclórico, o bancário tornou-se posteriormente comentarista esportivo e partiu para uma carreira política. Só não sei quem teria culhões para confiar seu voto em um árbitro de futebol, que provavelmente tantas vezes tenha insultado.

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