Pesquisa: o perfil e o pensamento do torcedor


Tenho pra mim que pesquisas populares pouco tem solução prática. São apenas recortes de uma determinada realidade, e por isso, devem ser analisadas com cuidado. As respostas encontradas, principalmente em pesquisas com um número pequeno de entrevistados, não são de forma alguma, proclamadoras da verdade. Porém, nos dão uma ideia generalizada da situação pesquisada.

Entre os dias 16 e 25 de março, entrevistamos 367 pessoas em diversos grupos relacionados a futebol no Facebook. Foram realizadas diversas perguntas, objetivas e descritivas, que pudessem nos dar um parâmetro sobre determinadas questões. Inicialmente, traçamos um perfil dos entrevistados. Por se tratar de um questionário feito através de redes sociais, a expectativa era de que a maioria das pessoas fosse jovem, entre 18 e 24 anos. E não houve surpresa.

46% dos entrevistados tem entre 18 e 24 anos;
19,4% é menor de idade;
22,4% tem entre 25 e 32 anos;
9,2% tem entre 33 e 45 anos;
e apenas 3% tem 46 anos ou mais.

A localização geográfica também acentua um padrão de comportamento, visto as diferenças culturas das regiões brasileiras. A pesquisa é majoritariamente "sulista":

53% é da região Sudeste;
29,2% é da região Sul;
13,7% da região Nordeste;
2,5% da região Centro-Oeste;
e apenas 1,6% da região Norte.

Um dado demonstra um nicho bem específico de entrevistados. 70,3% deles já fez ou está fazendo graduação. Curioso, que relativamente, o nível intelectual se relaciona com a média salaria. Cerca de 40% recebe de 1 a 3 salários mínimos, porcentagem correspondente de entrevistados que possui ensino superior incompleto. Um pouco menos de 30% possui ensino superior completo ou um nível acima. A mesma porcentagem, possui média salaria acima dos 4 salários mínimos. Veja abaixo os números completos:

41,3% possui ensino superior incompleto;
22,4% possui ensino superior completo;
17,2% possui ensino médio completo;
10,7% possui ensino médio incompleto;
6,6% possui grau de instrução maior que o ensino superior;
e 1,9% possui grau de instrução fundamental ou menor.

43,2% possui média salarial de 1 a 3 salários mínimos;
25,7% possui média salarial menor que 1 salário mínimo;
20,8% possui média salarial de 4 a 8 salários mínimos;
e 10,4% possui média salarial maior que 8 salários mínimos.

Também questionamos a ocupação dos entrevistados. Foram verificados 70 ocupações diferentes. Surpreendente, foi o número de estudantes. A grande maioria das ocupações respondidas, não passaram de 1,5%. Abaixo, as principais respostas:

42,5% são estudantes;
6,6% são jornalistas;
4,7% não responderam ou não responderam corretamente;
3,8% estão desempregados ou não possuem ocupação;
3% são estagiários;
2,4% são funcionários públicos;
2,2% são advogados.

Questionamos também se os participantes possuíam dependentes.

80,3% responderam Não.
19,7% responderam Sim.

Perguntamos a cor da pele dos entrevistados, e detectamos a participação de uma maioria branca. Só para efeito de comparação, segundos dados do IBGE, 43,1% da população se declara sendo pardo.

76,2% se dizem brancos;
16,4% se dizem pardos;
4,6% se dizem negros;
1,6% não souberam responder;
1,1% se dizem classificados em outra categoria.

Agora sim, podemos partir para a parte futebolística da pesquisa. Perguntamos para qual time os participantes torcem. O número de "mistos" foi baixo. Apenas 3,3% responderam com dois times. Trollagem ou não, 2 pessoas responderam que torcem para o Red Bull Brasil. E reconfortante, é o alto número de pessoas que torcem para equipe da série C ou inferior. Apesar de espalhados, mostram que são um número representativo o suficiente para terem atenção. Outra surpresa foi o número de londrinenses: 12, maior que o número de torcedores do Atlético-PR. Na lista abaixo, foram elencados apenas os clubes que tiveram mais de 5 menções.

Outros times da série C ou inferior: 13,8%
Corinthians: 10,4%
Flamengo: 8,5%
São Paulo: 8,5%
Palmeiras: 8%
Grêmio: 5,8%
Internacional: 5,2%
Cruzeiro: 4,6%
Santos: 4,6%
Outros times da série A: 4,4%
Vasco: 3,8%
Atlético-MG: 3,8%
Fluminense: 3,3%
Londrina: 3,3%
Outros times da série B: 3,3%
Botafogo: 3%
Atlético-PR: 2,7%
Ceará: 2,4%
Santa Cruz: 2,2%
Náutico: 1,3%
Não responderam: 0,8

Além de saber o gosto clubístico dos entrevistados, queríamos ter a noção se as transmissões dos torneios europeus está influenciando a paixão dos torcedores. Perguntamos se eles torciam por alguma equipe europeia, e em resposta afirmativa, qual era o clube de preferência. O resultado é alarmante. A cada duas pessoas, uma afirma torcer para um clube europeu.

53,1% afirma torcer para um time europeu;
42% afirmam não torcer para nenhum time europeu;
4,1% afirmam ser apenas simpatizantes;
0,8% não responderam.

3,3% responderam mais de um clube.

19% Outras equipes com menos de 5 menções
6% Liverpool
4,9% Arsenal
4,9% Barcelona
4,6% Chelsea
4,6% Real Madrid
3,3% B. Dortmund
2,7% Milan
1,9% Juventus
1,9% Manchester United
1,9% Bayern

Ultimamente, sempre ouvimos falar que a Seleção Brasileira não mobiliza mais as pessoas. Será? 64,5% dizem torcer para a Seleção. 19,7% se diz indiferente, e os outros 15,8%, afirmam não torcer para a amarelinha.

Buscamos saber se nossos entrevistados eram assíduos frequentadores de estádio ou se encaixavam na categoria "sofanáticos". 

35,2% afirma ir ao estádio uma vez ao mês;
26,5% afirma não ir ao estádio ou em situações esporádicas;
22,1% afirma ir ao estádio de uma a quatro vezes por mês;
16,1% afirmam ir ao estádio quatro ou mais vezes.

A imprensa comumente insiste em dizer que a violência é um dos fatores que afasta o torcedor de ir ao estádio. Por isso, perguntamos aos próprios torcedores o que eles pensam sobre. 

44% afirma que a violência no estádio ou no futebol é relevante;
25,4% afirma que a violência no estádio ou no futebol é moderada;
19,4% afirma que a violência no estádio ou no futebol é altíssima;
9,8% afirma que a violência no estádio ou no futebol é irrelevante;
e 1,4% afirma que a violência no estádio ou no futebol é inexistente.

Uma das principais discussões em torno do futebol atualmente é a dos altos preços cobrados no ingresso com a justificativa de atrair o torcedor para os programas de sócios-torcedores dos clubes. Aqui no Escrevendo Futebol já falamos sobre isso, e temos a opinião de que R$30,00, está muito bem pago ao setor mais barato do estádio. Agora, a opinião de vocês. Questionamos qual o valor mais justo/ideal para o ingresso no setor mais barato do estádio:

52,7% acha que o ingresso mais barato deveria custar entre R$20,00 e R$40,00
44% acha que o ingresso mais barato deveria custar entre R$10,00 e R$15,00
3% acha que o ingresso mais barato deveria custar entre R$50,00 e R$100,00
0,3% acha que o ingresso mais barato deveria custar mais que R$150,00
0% acha que o ingresso mais barato deveria custar entre R$100,00 e R$150,00

Curioso notar que apesar de termos cerca de 30% dos entrevistados com média salarial acima dos 4 salários mínimos, há um entendimento geral de que os valores exercidos pelos clubes hoje, estão fora da realidade do brasileiro. Além disso, é importante ver a consciência de quem é sócio-torcedor, em não querer excluir do estádio quem não pode pagar uma taxa mensal para poder ver seu clube do coração sem ter que deixar de comer. 41,8% dos entrevistados são sócios-torcedores dos clubes que torcem.

Outro motivo alegado pelos clubes para a alta dos ingressos, é a modernização de seus estádios. A intenção é criar um ambiente melhor para o torcedor/consumidor. Então, perguntamos se o torcedor acha necessário o chamado "padrão FIFA" nos estádios:

18% acha que sim, os estádios deveriam seguir um padrão de modernidade;
55,2% acha que não, não é uma necessidade;
e 26,8% se diz indiferente.

Questionamos em pergunta aberta, qual o melhor estádio em que o entrevistado já foi. Foram citados 79 estádios diferentes. É importante ressaltar que não há nenhum critério técnico nas escolhas, e é bem provável que muitos dos entrevistados, jamais tenham ido a algum estádio fora do país, por exemplo. Nenhum estádio estrangeiro teve 5 ou mais citações. Sem contar as escolhas claramente clubistas. Só confesso que uma coisa me incomodou: o número de estádios com o prenome Arena. Aliás, os estádios reformados para a Copa, como Beira-Rio, Maracanã, etc, tiveram seus votos computados independentemente de observações, como se preferia o "antigo" ou o "novo".Vamos aos resultados:

Melhores:
17,6% Maracanã
7,4% Mineirão
5,8% Não responderam
5,5% Allianz Parque
5,5% Arena da Baixada
4,9% Beira-Rio
4,4% Arena Corinthians
4,4% Pacaembu
4,4% Morumbi
3,3% Castelão
2,2% Olímpico Monumental
2,2% Arena do Grêmio
1,6% Arena Pernambuco
1,6% São Januário
1,3% Arena Fonte Nova
1,3% Mané Garrincha

Perguntamos se o futebol é o esporte preferido dos entrevistados. 96% responderam que Sim. Apenas 4% respondeu que não. A partir daí, iniciamos algumas perguntas relativas à mídia. Questionamos se o entrevistado possuía TV por assinatura. 86% responderam Sim e 14% responderam Não.

E o melhor canal esportivo?

64,6% votaram na ESPN;
12,9% votaram na SporTv;
12,4% votaram na Fox Sports;
6,6% votaram no Esporte Interativo;
1,9% responderam nenhum;
1,1% não responderam ou não souberam responder;
1,6% outros.

Não paramos por aí. Queríamos saber quais os melhores e piores jornalistas/comentaristas esportivos do país. Confira os resultados:

Melhores (66 nomes citados):
45,5% Paulo Vinícius Coelho;
12,1% Mauro Cézar Pereira;
4,1% Mauro Beting;
2,4% não responderam;
2,2% nenhum;
2,2% Paulo Calçade;
2,2% Milton Leite;
1,6% Leonardo Bertozzi;
1,6% Juca Kfouri;
1,6% Antero Greco;
1,3% Rafael Oliveira.

Piores (67 nomes citados):
36,1% Neto;
10,7% Renato Maurício Prado;
5,2% não responderam;
4,6% André Rizek;
4,4% Galvão Bueno;
3% Juca Kfouri;
2,4% Caio Ribeiro;
2,4% Fabio Sormani;
2,4% Mauro Cézar Pereira;
2,2% Milton Neves;
1,9% Müller.

Uma das principais questões da pesquisa me deu um grande alívio. Imaginei que o índice seria menor. Perguntamos aos entrevistados se eles costumam ler livros ou revistas de futebol. 75% afirmou que sim, enquanto os outros 25% respondeu negativamente.


A questão seguinte queria saber por qual meio de comunicação o torcedor mais se informa, atualmente. O resultado contradiz um pouco a resposta da pergunta anterior:


62% se informa através de sites especializados;
18,9% se informa através das redes sociais;
6,8% se informa através de blogs independentes;
6% se informa através da TV;
2,2% se informa através de outras mídias;
1,9% se informa através de jornais;
1,6% se informa através do rádio;
0,3% se informa através de revistas.

   Dizem que o Brasil possui 200 milhões de técnicos. Mentira. Temos 200 milhões de corneteiros. Mas até mesmo o bom corneteiro precisa saber um pouquinho de tática. E você? É um Guardiola ou um Israel de Jesus? Qual seu conhecimento sobre tática?

44% afirma ter conhecimento moderado sobre tática;
36,1% afirma ter conhecimento avançado sobre tática;
9,8% afirma ter conhecimento limitado sobre tática;
8,7% afirma ser um expert em tática;
1,4% afrima ter conhecimento nulo osbre tática.

Queríamos saber a profundidade com a qual o torcedor acompanha divisões inferiores. Perguntamos aos entrevistados se eles costumavam acompanhas as séries C e D do Brasileirão. 61% disse que acompanha, enquanto 39% afirmou não acompanhar. Na mesma pegada, questionamos se os Estaduais devem ser extintos. 77% diz que não devem acabar, o que mostra que o torcedor ainda dá importância ao estadual, diferentemente do que costuma pregar por aí. Os outros 23%, acham que os Estaduais devem ter um fim. Outra questão, se baseava na eterna discussão: Pontos corridos ou mata-mata? 59% escolheram a fórmula atual, e os outros 41% preferem o mata-mata. Equilibrado, não?


Seguindo a mesma linha de raciocínio, perguntamos sobre a distribuição das cotas de TV, e demos 4 opções para escolha:

43,2% escolheram que a divisão deveria ser feita de acordo com a classificação do ano anterior;
41,8% escolheram que a divisão deveria ser feita por igual entre os clubes;
10,1% escolheram que a divisão deveria ser feita pelo número de torcedores;
4,9% prefere o modelo atual.


Pra finalizar, apresentamos duas opções para o destino do clube do coração dos entrevistados: Ser comprado por um milionário, conquistar muitos títulos com um time recheado de estrelas, mas ser usado para lavagem de dinheiro OU Ser um clube preocupado com a responsabilidade fiscal, que não faz loucuras no mercado de transferências, que trata o torcedor com respeito, mas que vive na parte de baixo da tabela. 73% escolheram a segunda opção. Perceba que a grande maioria tem ciência de que um time bem organizado, pode passar por sufocos no início, para poder arrumar a casa. Mas que a longo prazo, os resultados uma hora podem chegar. Os outros 27%, querem resultados imediatos, independente das consequências, que certamente aparecem uma hora ou outra.

E você? O que achou da pesquisa? Deixe sua opinião, elogio ou crítica!

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