O valor das competições


Recentemente, no Brasil, a decadência financeira (e técnica) de alguns torneios, fizeram com que clubes e imprensa influenciassem o torcedor a valorizarem apenas determinadas competições, em geral, elitizadas. Com isso, criou-se no torcedor brasileiro em geral, uma corrente de pensamento que prega o desdém de torneios outrora glamourizados. Vivemos uma transição entre o glamour da primeira metade do século XX, passando pela paixão que arrastava multidões das décadas de 70, 80 e 90, e culminando no chamado futebol-gourmet.

Ai de quem comemorar um estadual. É achincalhado em praça pública. Afinal, "estaduais não valem nada". Os rurais, como são jocosamente chamados, vem sendo sabotados sistematicamente por seus organizadores, pelos grandes clubes, e principalmente pela mídia. Não que não haja razão em malhar o pobre "Judas regional". Mas é preciso diferenciar crítica de desrespeito. Mas esse processo não passa apenas pelos estaduais. Pense nos pomposos torneios de pré-temporada conquistados por inúmeros clubes brasileiros. Vencer um Ramón de Carranza, um Teresa Herrera ou um Joan Gamper, eram motivos de orgulho e satisfação financeira. Hoje, sem termos a mesma chance de participarmos, nossas aparições não passam de torneios amistosos em que o torcedor pouco liga e que o mais importante é o dinheiro.

Outra situação similar marcante acontece com a Sul-Americana. Vencer um torneio internacional, por menor que seja, é algo grandioso. Se envolve todo um continente, então, isso deveria se tornar ainda mais memorável. Mas a prática desse pensamento ordinário e elitista de, repito, instituições esportivas e mídia, faz com que os torcedores tratem uma competição importante como mero capricho do abarrotado calendário.

O mesmo fenômeno aparece no futebol de seleções. Se antes, o enfrentamento de países era o supra-sumo do futebol, hoje, essa empolgação só se vê na Copa do Mundo. Amistosos, segundo as cabeças pensantes, pouco serve para parâmetro, e vencer os adversários é apenas uma obrigação. Copa das Confederações e torneios continentais? "Uma bobagem. Não valem de nada". A não ser a Copa do Mundo sem Brasil e Argentina. E insistem nisso.

Sempre tive um pensamento meio megalomaníaco em relação a vencer. Quando jogo futebol, no campo, quadra, na rua, na areia ou no videogame, sempre entro pra vencer. Quando torço para meu time ou para minha seleção, no estádio, na tv, no rádio ou acompanhando um livescore qualquer na internet, só penso na vitória. E penso na história destas vitórias e possíveis títulos em disputa. Seja municipal, estadual, regional, nacional ou internacional. Não percam isso. Não deixem eles falarem que torneio tal vale mais que o outro porque traz mais lucro pro clube ou porque a transmissão de TV é espetacular. Torneio importante é aquele onde a bola rola por uma taça.

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