O preço do ingresso é justo?


Constantemente, ouvimos dizer que o poder de compra do brasileiro aumentou nos últimos anos. Para exemplificar este aumento, é usual citar a quantidade de um produto X que o salário mínimo era capaz de comprar em uma determinada época, e a mesma capacidade do salário atual. Por exemplo, se pegarmos o preço do litro da gasolina em 2001, que estava em torno dos R$2,00 na época, podemos dizer que era possível comprar 90 litros de gasolina com 1 salário mínimo, então de R$180,00. O preço atual da gasolina é de R$3,30, e, se levarmos em conta o salário mínimo atual de R$788,00, é possível comprar cerca de 238 litros de combustível. Ou seja, o poder de compra em relação a este produto aumentou. 

Com o crescimento econômico do país nos últimos 10 anos, é possível notar esse aumento no poder de compra na grande maioria dos produtos, e também serviços. É algo que me parece até natural que aconteça. Mas então, por que diabos os ingressos de futebol foram inflacionados de maneira astronômica? O ingresso mais barato para a final do Campeonato Brasileiro de 2001, entre Atlético-PR e São Caetano, na Arena da Baixada, custou a bagatela de R$10,00. Na partida contra o Paraná, há duas semanas atrás pelo Campeonato Paranaense, o setor mais barato custava R$150,00. Ou seja, se seguirmos a comparação inicial, com a relação entre o valor do salário mínimo e o valor de um produto ou serviço, chegamos a conclusão que o poder de compra de ingressos de futebol diminuiu drasticamente em pouco mais de 12 anos. Em dezembro de 2001, era possível comprar 18 ingressos com um salário mínimo. Atualmente, é possível adquirir apenas 5. 

Segundo dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação acumulada do período alcança os 128%. Em valores corrigidos, os R$10,00 cobrados na final do Brasileirão de 2001, custariam hoje R$22,82. A defasagem dos ingressos mais baratos de ontem e de hoje é de absurdos 550%. Isso deixa claro que a falta de um setor popular nos estádios, com preço em torno dos R$30,00, não traria prejuízo aos cofres do clube. Muito pelo contrário, afinal, a chance de mais gente comprar um ingresso a um valor mais acessível, aumenta. 

É claro, entendo que os custos para se fazer futebol no país subiram. Mas subiram principalmente por conta da incompetência em gerir um clube de futebol, e não é o torcedor que tem que pagar essa conta. Até porque, sem o torcedor, não há a necessidade de existir futebol. Entendo pouco de economia, e este é apenas um exercício para pensarmos: é justo cobrar R$150,00 por um jogo de futebol? Concorda comigo? Deixe seu comentário!

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