Futebol inglês discute a ausência de técnicos negros

Assim como já aconteceu no Brasil, principalmente após o título brasileiro conquistado pelo Flamengo em 2009, então treinado por Andrade, a Inglaterra, com muito mais eficiência, começa a discutir os motivos e possíveis soluções para a falta de técnicos negros no mercado de trabalho inglês.

Gordon Taylor, presidente da PFA (Professional Footballer’s Association), pediu a introdução da “regra Rooney”, usada no futebol americano para garantir que os candidatos negros tenham uma representação adequada em listas de entrevista para os cargos de treinador. Na NFL, a regra, criada por Dan Rooney, proprietário do Pittsburgh Steelers, existe desde 2003. Os treinadores Keith Curle (Carlisle) e Chris Powell (Huddersfield) são os únicos técnicos negros do futebol profissional inglês, embora cerca de 25% dos jogadores sejam negros ou de minorias étnicas. No momento, não há um treinador negro na Premier League. O último, Chris Hughton, foi demitido após o rebaixamento com o Norwich.

Taylor disse à BBC: “O critério de seleção deve ser baseado no mérito. Eu sei que estes jogadores negros tem o mérito como jogadores e eles têm o mérito como treinadores. Eu posso dar-lhe uma lista de jogadores negros que se tornaram treinadores, que tem as devidas licenças, que já passaram por todo o caminho, possuem licença profissional e não estão recebendo oportunidades”. Ainda segundo a PFA, 18% dos jogadores em seus cursos para treinador são negros ou de outras minorias étnicas.

O autor da regra na NFL, Dan Rooney, de 82 anos, afirmou “que o futebol não tem nada a perder com isso. Os times ingleses vão perceber que  é uma coisa positiva.” Depois de uma ameaça de ação judicial por parte de uma organização de ativistas, a NFL criou o Comitê de Diversidade no Trabalho. Esta comissão propôs a regra, e o índice de treinadores negros na NFL subiu de 6% para 22% entre 2002 e 2006.

Para Taylor, há um racismo escondido dentro dos clubes. Um exemplo disso pode ser o caso de Michael Johnson. Ex-zagueiro de Birmingham e Derby County, o jogador possui mais de 550 jogos entre Premier League e Football League em 18 anos de carreira. À BBC, afirmou que desde que se aposentou em 2009, apesar de possuir todas as qualificações necessárias, ele descobriu que era impossível conseguir um emprego no futebol. “Eu sou um treinador profissional. Tenho cursos de gestão esportiva. Mas eu estive fora do mercado de trabalho por três anos. Enviei mais de 30 currículos e só consegui duas entrevistas. Para mim, há algo de errado.”

Já o técnico do Chelsea, o português José Mourinho não acredita que exista racismo no futebol. “O futebol não é tão estúpido de fechar as portas para as pessoas. Se você é bom, o trabalho é seu. Se você é top, você é top.”

Chris Hughton, último negro a comandar uma equipe da Premier League

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