A pampa pobre que herdei de meu pai


Desde os 7 a 1 (e na verdade até bem antes disso), nos deparamos diariamente com matérias dos principais meios de comunicação direcionados ao esporte, nos mostrando a decadência do futebol brasileiro. Seja pelo número de brasileiros com destaque nos times europeus,ou pelo nível técnico do Brasileirão, ou porque chegamos ao absurdo de um jovem preferir torcer por um time do outro lado do planeta, do que torcer por uma equipe mais próxima culturalmente de seu dia a dia.

A notícia do dia é de que o Brasil é a Seleção da Copa do Mundo com menos jogadores negociados na janela de transferências que se encerrou na segunda-feira, dia 1º de setembro. Não quer dizer muito, é claro, visto que a seleção líder é a Grécia, com 14 transferências, seguida de Camarões, com 1 (certamente, a pior seleção da Copa) e a Alemanha, só possui 3. Mas é mais um indício de que algo está, digamos, diferente.

Já não somos o centro do mundo em muitos aspectos. Ainda somos muito respeitados fora daqui. Mas a auto-deterioração, estrutural e moral, parece fazer com que o futebol brasileiro dê passos cada vez mais lentos. O diagnóstico está feito. Há algum tempo. Mas como mais um elemento cultural brasileiro, de sempre vislumbrar um herói, falta alguém pra chutar o balde, e enfim, fazer algo. Quem dará o novo grito do Ipiranga?

Estamos pagando a conta de anos de estapafúrdias administrações. Somos vítimas de um monstro que nós mesmo criamos. A consequência da balbúrdia que era o futebol brasileiro há 20, 30 anos atrás, parece só ter ficado clara e apresentado suas cicatrizes, quando algumas coisas foram entrando no eixo. O modelo dos pontos corridos está estabelecido, os clubes ficaram endinheirados (talvez na mesma proporção que endividados), novos estádios foram construídos com a vinda da Copa… Mas estamos inertes. Como dentro de um ônibus lotado, em que tudo lá fora passa mais rápido, e você, sentado naquele banco cheio de gente em volta, num marasmo completo e quase irrecuperável, em que você caminha de um lado para o outro. Da casa para o trabalho. Do trabalho para casa. E assim caminha o futebol brasileiro. De casa para a Copa do mundo. De uma Copa do Mundo, pra casa.

Nenhum comentário

Deixe seu comentário:

Tecnologia do Blogger.