Papai me bateu no Dia dos Pais

Quis o destino que o primeiro Gre-Nal do reformado Beira-Rio fosse justamente no Dia dos Pais. A confirmação da paternidade era óbvia. Desde 1945, a partir do Gre-Nal de nº 89, o Internacional saltou a frente de seu rival em número de vitórias no maior clássico gaúcho, e talvez, brasileiro. Já estamos no 402!

Hoje, não faltavam simbolismos. Tarde de reencontro com Guiliano, talismã da conquista da Libertadores em 2010. Era também, o retorno de Luiz Felipe Scolari à casamata tricolor. O Grêmio não vinha de bons momentos, mas estava empolgado com a volta de Felipão. Já o Internacional buscava a quarta vitória consecutiva no Brasileirão, e diminuir a diferença para o líder Cruzeiro, que até duas rodadas atrás, já parecia inalcançável. Mas a turminha de “alma castelhana” insiste em recorrer à mística. Felipão tem vantagem nos confrontos com Abelão. Venceu dois, empatou um e perdeu outro. Agora, às 18h, já podemos dizer que tinha vantagem.

No lado vermelho, recorremos à autoridade de pai para filho.


Antes da bola rolar, Abel Braga insistiu em manter o mistério sobre a participação do chileno Aránguiz no clássico.Na escalação, lá estava o homem: Dida, Wellington Silva, Ernando (muito melhor que o Paulão, suspenso), Juan e Fabrício; Wellington, Willians, Aránguiz, D’Alessandro e Alex; Rafael Moura. A formação do meio campo com Alex no lugar de Alan Patrick e com o retorno de Aránguiz, qualifica a troca de passes, e intensifica a busca pelo ataque de forma mais ordenada e cadenciada.

E logo nos primeiros segundo de jogo, o filho faz um desaforo ao pai. Dudu pega firme em D’Alessandro. Com um mísero minuto, Rodriguinho recebe entrada forte de Juan, mas na bola, que sobra com Willians. E numa inversão de valores nessa sociedade patriarcal, o jogador tricolor dá uma rasteira no volante colorado, obrigando o árbitro Anderson Daronco a aplicar o primeiro cartão amarelo.

O destempero imortal continua. Pará dá carrinho por trás em Aránguiz. Rafael Moura logo aparece com a camisa rasgada feito um trapo. Já o Inter era concentrado e marcava adiantado. Entretanto, a primeira boa chance do jogo foi do lado azul da força. Sem conseguir entrar no campo de defesa colorado, Pará arrisca de longe e quase conta com o morrinho artilheiro, mas Dida manda pra escanteio.

Faltava ao Internacional a criatividade de seus meias. A bola não chegava em Rafael Moura, visto o bom posicionamento da defesa gremista. O cadenciamento e posse de bola esperados pela escalação inicial, não aconteceu, e o Grêmio ficou 52% do tempo com a bola nos pés. No intervalo, Abel realiza uma substituição atrasada há pelo menos três jogos. Cláudio Winck entra no lugar de Wellington Silva, com dores na coxa.

O Grêmio seguiu ligeiramente melhor, mas o jogo era cozinhado. Sem muita empogação. Mas como diria Ildo Meneghetti, Grenal é Grenal!

Aos 16 minutos, Alex faz fila frente a área tricolor, e abre o jogo para Fabrício pela esquerda. O lateral cruza na área com precisão, e Aránguiz cabeceia pra rede. O chileno, que quase se estabacou nas placas de publicidade na comemoração, desde o início da jogada, caminha solenemente entre a defesa adversária. Apareceu no ataque sem a mínima marcação,deixada para trás por Alex, ocupada com outros jogadores de frente do Internacional.

Como em clássicos anteriores, o gol desmorona o psicológico imortal. E o Inter controla. Troca passe. Toca pra lá, pra cá. E não ataca. É algo, que incomoda demais.  Incomodaria mais se estivesse perdendo, claro. Porém, parece saber atacar no momento certo. Quando o relógio marcava 38 minutos, D’Alessandro faz o Grêmio provar do próprio veneno, inciando contra ataque, e lançando Cláudio Winck, já quase na area adversária. O garoto domina, corta o marcador, e bate forte de direita. Aí, é só correr, tirar a camisa, tomar um amarelo, e comemorar.


Só restou contar o tempo restante. Êxtase vermelho e angústia azulada. Como numa tradição de CTG, Pará e Wellington Paulista tentam criar CENAS LAMENTÁVEIS, mas a turma do deixa-disso, impede algo maior.

É, Grêmio! Diz o que sente! Ter em casa seu papai. E ainda apanhar nesse dia festivo.

2 comentários:

  1. Não foi bem o que aconteceu neste dia dos pais. Colorados chorando até agora. Outro gol do Grêmio. #5x0 #PapaiSempreFoiMaior

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Anônimo! Um dia da caça, outro do caçador! Um abraço!

      Excluir

Deixe seu comentário:

Tecnologia do Blogger.