Seleção que mais sobe no ranking da FIFA, Palestina ainda sofre com interferência israelita

Fundada em 1928, a Associação Palestina de Futebol se filiou a FIFA apenas em 1998. De lá para cá, a seleção palestina foi crescendo em termos de resultado, chegando ao seu ápice recentemente, com o título da AFC Challenge Cup disputada no último mês de maio, e que garante vaga na Copa da Ásia de 2015. A boa campanha, rendeu a maior ascensão no ranking da FIFA, pulando de 165º para o 94º lugar. Feito que se torna ainda mais especial, se levarmos em conta o fato de que o Estado de Israel dificulta o avanço do futebol na região. Na última terça-feira, Israel aumentou os ataques contra Gaza e mobilizou cerca de 40 mil homens com a seguinte desculpa: “manter a estabilidade dos residentes do sul de Israel, eliminar as capacidades do Hamas e destruir a infraestrutura de terror operando contra o Estado de Israel e seus civis”.

A construção de estádios e locais de treinamento também é impossibilitada pelo governo israelita. Segundo relatório da entidade Nonviolence International em conjunto com a FPA, Israel age ativamente para atrapalhar o funcionamento de campos de futebol já existentes. É importante lembrar do bombardeio realizado em 2012, que destruiu parcialmente o Estádio da Palestina, sede dos jogos da seleção.

O absurdo não para por aí. Em julho de 2009, um dos casos mais emblemáticos do desrespeito. O jogador Mahmoud Kamel Mohammad Sarsak foi preso pelas Forças de Ocupação enquanto ia para a disputa de uma partida de futebol. Passou por 30 dias de interrogação, sendo acusado de fazer parte da Jihad Islâmica. Em 23 de agosto de 2009, Mahmoud foi mantido preso graças a uma lei que permite a Isarel manter palestinos provenientes da Faixa de Gaza sob detenção por tempo indeterminado. Após isso, foram quase 3 anos de cárcere. Mahmoud foi solto no dia 18 de junho de 2012, após uma greve de fome de cerca de 92 dias.

Em fevereiro de 2013, 16 atletas da seleção sub-14 (!) foram proibidos de entrarem na região da Cisjordânia para treinarem. Em outubro do mesmo ano, 5 membros da federação foram impedidos de netrar na Palestina para uma partida das eliminatórias da Copa da Ásia sub-19. Em 20 de fevereiro de 2012, o goleiro da seleção olímpica da Palestina, Omar Abu Rweis, foi preso por cerca de 25 militares das Forças de Ocupação, junto a outros jovens, entre eles, o também jogador Mohammad Sa’di Nimer. Omar ainda não foi julgado, e segue em cárcere mesmo sem existir provas contra ele.

No relatório, também há casos de assassinato e de ataques a tiros. O caso mais recente aconteceu com o jovem Sarje Darwish, de apenas 18 anos, foi assassinado por um sniper. O relatório completo, você pode baixar em inglês ou em espanhol. O presidente da Nonviolence International, Mubarak Awad, tem uma posição firme. “Esses ataques não vão parar o futebol palestino. Jogar e assistir futebol é um direito humano e o mundo todos nos apoia. A FIFA precisa punir Israel por essa conduta”.


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