Eu e a bola


Não existe companheira mais inseparável do que a bola. Mais leal que ela. Se souber manusear, você coloca ela onde quer. No ângulo, no cantinho, por baixo das pernas do goleiro. Carrego a bola comigo há muito tempo. Tá certo que nem sempre foi a mesma bola. Afinal, elas murcham, estouram, furam, somem no mato ou no telhado. Ou são escondidas pela mãe, irritada com os canos danificados pelos potentes chutes. Mas em todos os casos, é um fator externo que a faz se separar de você. Mas a bola jamais te abandona!

Já vi gente dizendo que troca tudo: troca de casa, de emprego, de esposa, de carro, mas não troca por nada neste mundo, o time de coração. Mas nem no clube que você carrega na alma se pode confiar. Ele pode mudar de cidade, fazer uma fusão, ou simplesmente, falir. Estamos sozinhos. Pra quem é goleiro, a vida é ainda mais cruel. Até a bola pode enganar-te. Tá certo, que muitas vezes é o vento ou o atacante pernicioso que influencia a bola no ato de má fé. 

Mas ela está sempre lá. Jogada num canto, embaixo da cama. Redondinha. Pronta pra levar uma bicuda em sua superfície. E ela roda. Ela rola. Disse Nietzsche: "O mundo não gira sobre um caminho previamente traçado, não é um vagão de trem que anda sobre trilhos." E o mundo é redondo tal qual uma bola. A diferença é que você tem total controle sobre ela. É só você e a bola! Só a bola e eu.

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