Um Casari no Mundial do Brasil


Ao ver o título deste post, você deve se perguntar: Sobre o que ele está falando? Não, não é sobre uma possível cobertura da Copa do Mundo 2014. Também não serei convocado por Felipão (se bem, que do jeito que a coisa anda...). Falarei sobre um jogador de mesmo sobrenome que o meu, que há 63 anos atrás esteve em nosso país para a Copa do Mundo de 1950. Giuseppe "Bepi" Casari, o único jogador que consegui encontrar da mesma "linhagem" que a minha. 

Casari nasceu em 22 de Abril de 1922, quando a nossa "Ilha de Vera Cruz" completava 422 anos. Natural de Martinengo, pequeno município de Bergamo, o goleiro iniciou sua carreira em 1938 após uma apresentação em Lecco. Atuou profissionalmente pela primeira vez apenas em 1945, com a camisa da Atalanta, no torneio de guerra organizado pela Federação Italiana para manter os jogadores em forma, enquanto os conflitos mundiais continuassem. O cartão de visitas não podia ser melhor. Empate sem gols diante do Brescia. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, Casari finalmente estreou na Serie A, onde se destacou bem e atuou em 251 jogos e é lembrado na história do Calcio pelo pioneirismo nas saídas do gol, sempre dando o, hoje tradicional, grito de "É minha!". Suas críticas a árbitros e treinadores após as partidas também são lembrados pelos tifosi, com os quais sempre teve bom relacionamento. Três anos depois de sua estréia, é chamado pelo lendário Vittorio Pozzo para as Olimpíadas de Londres de 1948, mas a titularidade é indiscutivelmente de Valério Bacigalupo, que morreria no ano seguinte na terrível Tragédia de Superga.

No verão de 1950, sai da Atalanta para assumir a camisa 1 do Napoli, que havia acabado de conquistar a Serie B e é convocado para a Copa do Mundo no Brasil pelo técnico Ferrucio Novo. Em terras brasileiras, viu do banco de reservas a eliminação de sua seleção ainda na fase de grupos. A Squadra Azzurra vinha desfalcada pela já citada Tragédia de Superga, na qual foram vítimas boa parte do elenco do Torino, base da Seleção Italiana. A vitória por 2 a 0 diante do Paraguai na segunda rodada não foi o suficiente para a classificação a fase final, já que a Itália havia perdido na estréia por 3 a 2 para a Suécia.


Após o Mundial, passou três temporadas na mais tradicional equipe napolitana. Em 1953 perde espaço para o recém contratado Ottavio Bugatti, se transferindo na temporada seguinte para o Calcio Padova, contribuindo com o acesso a elite italiana na temporada 1954-55. "Bepi" ainda disputou a Serie A em 55-56, quando se retirou dos gramados italianos com apenas 34 anos. Casado com Giusy Cassera, Giuseppe Casari tem hoje 91 anos, três filhos e quatro netos, e é até hoje, reverenciado pela torcida nerazzurri. Além disso, faz parte do folclore do futebol italiano. Durante uma audiência da Seleção Italiana com o então Papa Pio XII, todos os jogadores ajoelhavam-se e beijavam respeitosamente a mão do pontíficie. Ao chegar a vez de Casari, o t vinicultor bergamasco de jeito simples, apertou a mão de Pio de maneira bruta para a ocasião, e exclama em alto e bom som: "Prazer, Casari!".

Atualização: Infelizmente, Giuseppe Casari veio a falecer tempos depois desta postagem, mais exatamente, no dia 12 de novembro de 2013.

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