Entrevista: Virgílio Pinto


Hoje trago um bate papo com Virgílio Pinto, jovem meia-atacante de 20 anos, mas que está atualmente sem clube. O garoto, com passagens por Cabofriense, Boca Juniors e Guarani-PAR,conta para nós o início de sua carreira e os problemas que os atletas passam, mostrando o lado oposto do glamour no futebol. 

Virgílio, como iniciou este sonho de ser jogador, e como começou a sua carreira? 

Comecei através do meu pai fanático por futebol. Vascaíno doente como toda minha familia. Além disso, meus irmãos sempre tiveram este sonho também mas nenhum chegou a atuar profissionalmente. Quando tinha 5 anos comecei na escolinha do Vasco do César (ex-jogador de Vasco, Palmeiras e Internacional, pai do lateral esquerdo Júlio César, atualmente no Grêmio). Fui pro futebol de salão com 8 anos e fui o artilheiro do ano no campeonato carioca, com 39 gols. Depois disso meus pais começaram a me incentivar e assim estou até hoje no mundo do futebol e atrás do meus objetivos.

Você após atuar no Cabofriense, no início da sua carreira, você passou pelo Boca Juniors e pelo Guarani-PAR. Como foi ter esta experiência de atuar em outro país? 

Pra mim foi muito gratificante. Não é fácil você ir para outro país. Passei muita dificuldade no Paraguai. Na Argentina nem tanto. Aprendi muita coisa; ainda era menor de idade e me virei sozinho por lá.Fiquei 7 meses no Paraguai, morei na casa dos outros, embaixo da arquibancada, casa de técnico. Foi uma experiência que irei levar pra sempre na minha vida. O futebol lá é muito pegado, aprendi ‘’bater’’ lá (risos). Fui na casa de um amigo que jogava comigo, ele não tinha nem o que comer de manhã. Comprava pão pra ele. Apesar de ser colado ao Brasil é um país muito diferente do nosso. Na Argentina os caras odeiam brasileiro e não tocavam a bola e nem falavam comigo. Fiquei amigo de um colombiano apenas.

Como foi sua passagem pelo Boca Juniors e como você se sentiu ao conhecer a La Bombonera? 

Fui com um empresário argentino. Ele me viu jogando em Cabo Frio, cidade em que moro. Lá foi maravilha, alojamento fera mesmo, nunca fiquei num lugar daqueles. Senti um pouco o frio no começo. Era inverno e logo peguei uma febre daquelas. Depois comecei a treinar, não falava com ninguém. Fiquei lá um mês e pouco. Os tecnicos gostaram do meu futebol, mas na minha posição havia 2 garotos da Seleção Argentina sub-17. Aí eles resolveram me emprestar para o Quilmes, mas o empresario que me levou não quis que eu fosse. Sem ter concretizado a minha ida para outro clube, tive que voltar para casa. E a La Bombonera é linda, quando eu fui tinham vários brasileiros visitando. O Campeonato Argentino estava parado. Não peguei nenhum jogo lá pra ver. Mas adorei o lugar. Dizem que lá(o bairro la boca) é muito perigoso, mas eu como garoto do rio, não vi lá essas coisas não.
Virgílio e o então jogador do Boca Juniors, Rodrigo Palácio 
E como foi a experiência no Paraguai?

No Paraguai foi bem diferente. Passei num ‘’peneirão’’ e um paraguaio me levou pra sua casa e fui fazer teste (no Guarani-PAR). Era um campo horrivel e mesmo assim me destaquei. Joguei o Campeonato Paraguaio 2009 Clausura y Apertura. Morei em vários lugares diferentes, passei por muitas coisas lá. Aprendi a falar guarani(um pouco que seja) e espanhol. Cheguei a estudar lá com um amigo que jogava comigo. Adorei os paraguaios. Um povo humilde e receptivo. No começo eu era reserva.Depois fui conquistando a vaga de titular e estava bem. Eu tinha 17 anos, e o clube não me dava nem o dinheiro de uma passagem, tudo era meus pais que me mandavam dinheiro. O empresario que havia me levado, me largou lá. Fui morar na casa de um amigo meu. Aí chegou uma hora que eu dei um basta pra isso tudo que eu estava passando. Cheguei a um dia não ter o que comer, era aipim gelado. Parei e pensei,p: não preciso estar passando por isso. Cheguei a procurar a diretoria, mas eles sempre falavam que iam dar uma solução, e que era para eu esperar. Fiquei esperando 6 meses! E ainda fiquei ilegal no país durante esse tempo todo. Resolvi voltar ao Brasil depois disso.

Você voltou a atuar na Cabofriense, e então foi para o América de Natal. Como surgiu esta oportunidade?

Eu tenho um parente lá, e ele tinha um contato no ABC (rival do América). Mas deu tudo errado e acabei indo pro América. Fui numa época que o América estava muito mal, perdendo direto. Vinha treinando bem, mas sem vínculo com o clube. Então o América, me indicou para o Potiguar de Parnamirim.

Você disputou a segunda divisão estadual do RN pelo Potiguar EC. Quais foram as dificuldades?

Muita dificuldade. Parecia que eu estava no Paraguai (risos). Fiquei 8 meses em Natal, morei na casa dos outros também. Agradeço a muitas pessoas que lá me ajudaram. A principal dificuldade era em relação ao dinheiro, pois o salário era baixo e não tinha nenhum "bicho". Jogamos quase de graça. Infelizmente não subimos e o projeto foi por água abaixo, mas também não teve planejamento algum da diretoria. A comissão técnica era sozinha e não tinhamos apoio de ninguém. Mesmo assim, agradeço a todos do Potiguar pela oportunidade, fiz muitos amigos por lá.

Como você está fazendo para manter a forma, agora que está sem clube?

Vou a academia, faço fortalecimento, corro na praia, na pista... Tô sempre em atividade. De vez em quando tem umas partidas por aqui. Eu sei que é errado pelo risco de lesão, mas eu não consigo ficar sem jogar.

Você espera jogar em clubes do Rio de Janeiro mesmo, ou já tem outros mercados em vista?

Eu espero arrumar um clube para trabalhar. Ficar sem clube é muito ruim, e aonde aparecer uma oportunidade, e eu tenho fé em Deus que vai aparecer, eu vou de cabeça nela. Seja no Rio, na China... em qualquer lugar. Se estiver me pagando eu vou!

Pra finalizar: Qual o seu estilo de jogo, na sua visão.

É meio chato a gente se auto-descrever, mas vamos lá: Tenho boa visão de jogo, sou rápido e abriu eu to batendo no gol. Pintou brecha é gol (risos).


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